sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Saiba como orientar os professores a preparar boas provas.

As questões das provas devem abordar apenas aquilo que foi trabalhado em sala de aula (Foto: Manuela Novais)
As questões das provas devem abordar apenas aquilo que foi trabalhado em sala de aula (Foto: Manuela Novais)
Com um currículo estruturado e com a ajuda do coordenador pedagógico, o professor é capaz de pensar em estratégias de ensino e, com base nisso, planejar avaliações para diagnosticar a aprendizagem dos alunos. Sabemos que o docente tem vários instrumentos para fazer isso: provas escritas, atividades diagnósticas, observações de atividades, registros dos cadernos, trabalhos, pesquisas, apresentações orais, entre outros. Hoje, gostaria de refletir sobre as provas.
Quando construo minha rotina, já prevejo um momento em que terei que orientar os professores sobre a elaboração das avaliações. Nas nossas reuniões formativas, costumo refletir com a equipe sobre os aspectos necessários para fazer boas provas, que analisem apenas aquilo que foi ensinado. A seguir, listo alguns deles, definidos por mim e pelos educadores da escola em que trabalho:
Currículo e estratégias. A cada início de bimestre, seleciono com os professores os conteúdos que farão parte do currículo das séries e quais serão as estratégias de ensino adotadas. Isso vai permear toda a reflexão sobre as avaliações posteriormente.
Questões. Para construir uma boa prova, é preciso garantir uma conexão entre o que é avaliado e as atividades que o aluno costuma fazer em sala de aula. Portanto, as questões devem abordar apenas aquilo que foi trabalhado em sala de aula, além de ser claras e objetivas, para que os estudantes compreendam o que está sendo pedido.Objetivos. Tabulamos os objetivos definidos para o bimestre numa planilha (clique aqui para ver um exemplo). Ela será utilizada para prever o tempo necessário para a realização da prova e o número de questões para dar conta de avaliar todo o conteúdo ensinado. Além disso, servirá para acompanhar os resultados dos alunos e pensar replanejamentos futuros.
Pontuação. O valor total da prova deve ser distribuído adequadamente por todas as questões, de acordo com o nível de dificuldade, por exemplo.
Análise da prova elaborada pelo docente
Sempre peço para que os professores me entreguem os documentos elaborados com antecedência, para que eu tenha tempo de analisá-los e dar uma devolutiva. Gosto de fazer observações pessoalmente, ponderando sobre as questões junto com eles.
Na maioria das vezes, minhas intervenções focam numa comparação entre a forma que determinado conteúdo foi trabalhado em sala de aula e como ele está sendo cobrado na prova. Com base nas respostas dos docentes e na análise do caderno das crianças (leia mais sobre isso aqui), sei se uma pergunta está adequada ou não àquela turma. Se não estiver, proponho que pensemos em outra alternativa.
Vale lembrar que cabe a cada professor utilizar outros instrumentos de avaliação ao longo de todo o processo de ensino e aprendizagem. Isso permitirá ao profissional considerar o potencial do aluno em vários momentos da rotina escolar e analisar o envolvimento dele nas atividades propostas e nas tarefas de casa. O resultado de tudo isso deve ser somado para compor a média do bimestre.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Eleições: o que discutir com os alunos?

Imagem para o blog de EJA em post sobre os conteúdos que podem ser trabalhados na época das eleições
Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
Muito se fala que a escola deve formar cidadãos e, portanto, nada mais natural que as eleições sejam abordadas na sala de aula. Claro que esse não é o único momento em que exercemos a cidadania, mas é sem dúvida um momento-chave para a vida política e que deve ser discutido e analisado nas turmas de EJA.
Esse é um trabalho delicado de ser feito. Por um lado, é preciso informar e discutir certos aspectos do mundo da política; por outro, não pode ser um trabalho doutrinário em que o professor imponha aos alunos suas opiniões e, o que é pior, seus candidatos. Não se pode fazer campanha eleitoral na escola!
Um trabalho difícil, mas possível e necessário. Muitos alunos sentem-se excluídos do processo eleitoral porque não entendem como ele funciona e acabam não exercendo plenamente seu direito de eleitor.
A seguir, elenco sugestões de assuntos que podem ser discutidos em sala sem entrar no mérito dos candidatos e podem ser esclarecedores para os estudantes da EJA:
Atribuições de cada cargo: Neste ano, teremos eleições para presidente da república, governador de estado, senador, deputado federal e deputado estadual. Muitas pessoas têm dúvidas sobre qual o papel de cada um desses cargos no funcionamento da vida pública. Um tópico interessante para abordar com os alunos é esclarecer quem faz o quê. A seção de “Perguntas Frequentes” da Cartilha do Eleitor Consciente, do Tribunal Superior Eleitoral, traz essas informações.
Divisão de poderes: Relacionado ao tópico anterior, mas além dele, temos a organização em três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e as suas diferentes esferas (municipal, estadual e federal). Conhecer as responsabilidades de cada um, bem como suas limitações, é interessante, por exemplo, para que os alunos julguem se as promessas feitas pelos candidatos em campanha estão de fato dentro das possibilidades de cada cargo em questão. (Veja um plano de aula sobre o assunto aqui)
Voto proporcional: Nas eleições para cargos legislativos, como para deputados estaduais e federais, o sistema de votação é proporcional. Como o próprio nome diz, a contagem não é direta (como acontece para presidente da república) e exige um cálculo. Além disso, para compreender o sistema, é preciso entender o que é partido e coligação. Na minha experiência, são raros os alunos que conhecem esse tipo de votação. Por isso, eles sempre se surpreendem com a estratégia dos “puxadores de voto” (certos candidatos-celebridade capazes de angariar muitos eleitores e favorecer enormemente sua coligação). Dois casos interessantes para estudar as distorções que o sistema de voto proporcional pode provocar são o da eleição de Enéas Carneiro em 2006 ou do palhaço Tiririca em 2010.
Financiamento de campanha:
Quem paga os cartazes, panfletos e comícios que pipocam em todos os lugares do Brasil nessa época? Entender melhor o sistema de financiamento de campanhas eleitorais pode ajudar os alunos a compreenderem o funcionamento de esquemas de favorecimento e corrupção. Ojulgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto pode ser um bom começo para essa discussão, assim como um texto de Gilberto Maringoni, escrito em 2012  sobre as eleições municipais em São Paulo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A visita à sala de aula inspira uma formação pontual.

É muito importante elaborar atividades relacionadas às práticas sociais, ou seja, que tenham um propósito para as crianças (Foto: Gabriela Portilho)
É muito importante elaborar atividades relacionadas às práticas sociais, ou seja, que tenham um propósito para as crianças (Foto: Gabriela Portilho)
Um dia desses, fui à sala da turma de 5 anos, para entregar um material para a professora. Na lousa, havia seis contas para a criançada copiar e resolver no caderno. Respirei fundo e, num exercício de autocontrole, fiz cara de paisagem e não falei nada na hora. Há alguns anos, talvez eu chamasse a docente para conversar no mesmo dia e tentaria explicitar por que esse tipo de atividade não é nem um pouco adequada.
Ela é novata na escola, mas é uma professora bem experiente, que sempre demonstrou interesse e comprometimento. Como a maior vivência dela é no Ensino Fundamental, no começo do ano, costumava procurar por mim e pelas colegas para trocar ideias sobre encaminhamentos interessantes para fazer a turma avançar.
De fato, eu não havia abordado a Matemática nas formações deste ano. No entanto, já havíamos refletido inúmeras vezes sobre a importância de elaborar atividades que fossem relacionadas às práticas sociais, ou seja, que tivessem um propósito para a criança. Vou explicar melhor onde quero chegar com isso. Sempre que discutimos um conteúdo, ele se torna passível de ser transferido para outras situações. Por exemplo, já tínhamos tematizado a importância das atividades de escrita terem um propósito. Como em geral os professores transferem tal conhecimento para outras áreas, era de se esperar que, também para trabalhar os conteúdos de Matemática, eles elaborassem situações que podem acontecer na vida real ou façam parte de um jogo, o que, por si só, já faz a criança aprender muitas coisas para poder brincar.
Isso não aconteceu. Por isso, planejei uma formação pontual para discutir um pouco a aprendizagem das crianças em Matemática. Digo que ela foi pontual porque o foco dos demais encontros com os professores era Natureza e Sociedade naquele momento.
A discussão foi centrada em jogos que utilizamos nos diferentes níveis para tratar de conteúdos de Matemática. Combinei com os educadores que, em uma das nossas reuniões, traríamos todos os que eram usados. Fiz uma lista (clique aqui para ver) para que cada um marcasse qual traria – isso assegurou a diversidade e evitou a repetição.
A proposta foi bem simples: cada professor relataria como introduziu tal jogo na sua turma. Aqueles que não eram conhecidos seriam jogados por todos. Depois desse momento, desenhei a seguinte tabela na lousa e, coletivamente, a preenchemos:
Jogo……………….……………….……………….
O que se pode aprender……………….……………….……………….
O que a criança precisa saber para poder jogar……………….……………….……………….
Essa atividade acabou sendo muito produtiva não só para a professora da turma de 5 anos, mas para as outras que ainda não tinham clareza sobre o quanto as crianças podem aprender com cada um dos jogos. Toda vez que elas jogam, precisam realizar vários procedimentos que envolvem contar, utilizar estratégias de cálculo e recitar a série numérica. Tudo isso sempre brincando, o que é muito importante!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Até onde vai a sustentabilidade aí na sua escola?

Desenho da estudante Katryne Rosa Leandro para o Concurso Cultural Construindo um Novo Planeta, do Instituto Ayrton Senna
Olá!
É dia de HTPC (horário de trabalho pedagógico coletivo) ou de ATPC (aula de trabalho pedagógico coletivo)? Aproveite essa oportunidade para começar a colocar em prática o projeto de sustentabilidade na escola. Afinal, uma gestão escolar transformadora começa pela ação de “planejar junto”. Como o tempo é sempre curto, sugiro abaixo uma maneira objetiva de refletir em conjunto, avaliar o que já vem sendo feito e o que ainda pode ser adicionado. Mas, lembre-se de fazer isso com um novo olhar, baseado nos eixos que conversamos no post anterior: currículo, gestão e infraestrutura, resultando em cidadania.
Se você tiver um pequeno esboço (ou mapa) do espaço físico da escola será melhor, mas também é possível trabalhar usando apenas o projeto político-pedagógico (PPP), o currículo, algumas tarjetas (melhor ainda se forem papeis de rascunho reutilizados), canetas coloridas, fita crepe e uma parede.
Convide os docentes para vivenciar, de forma participativa, a construção de um pequeno diagnóstico: “o retrato da sustentabilidade em nossa escola”.
Vamos começar pelo currículo. Promova uma rodada de questões solicitando que cada docente (indicando a sua disciplina) escreva, separadamente, em tarjetas, as respostas que vêm na mente. Você pode ainda sugerir que usem cores diferentes para o que já é feito e o que ainda pode ser feito.
1ª reflexão: Conteúdos e habilidades
- Quais são os principais conteúdos e desafios pedagógicos que eu estou trabalhando (ou preciso trabalhar) no semestre? Eles estão sendo abordados com base em alguma questão socioambiental local ou regional ou se limitam aos livros didáticos? De que maneira?
- Quais habilidades eu pretendo estimular nos alunos neste ano letivo? Algumas dessas habilidades ajudarão a melhorar a relação e o comportamento dos alunos com atitudes mais sustentáveis?
2ª reflexão: Inter, multi e transdisciplinaridade da Educação ambiental
- Em quais disciplinas estamos trabalhando as questões ambientais e sociais? Elas são relacionadas aos aspectos locais e regionais, ou apenas a temas nacionais e globais?
- No total de disciplinas que trabalhamos temos: (   ) uma  (   ) duas    (     ) três    (     ) quatro ou mais que já tratam de questões ambientais.
- Se houver mais de três, elas envolvem áreas além de Ciências, Geografia e História?
- Conseguimos trabalhar um mesmo tema ambiental com mais de três disciplinas conjuntamente, conectando atividades e projetos pedagógicos? Quais? Como?
3ª reflexão: Do currículo para a atitude
- Algumas das aulas que focaram as questões socioambientais trouxeram como resultado concreto a mudança de atitude dos alunos?
- Surgiu da parte deles uma nova ideia ou projeto?
- Tivemos algum resultado que ultrapassou os muros da escola e envolveu a família e/ou o entorno da escola?
O segundo momento pode estar relacionado à gestão da escola com as relações evalores praticados no convívio de gestores, docentes, alunos, colaboradores e famílias.
1ª reflexão: Gestão transformadora e compartilhada
- Os docentes percebem a gestão da escola como algo que:
(    ) oferece somente a diretriz do que fazer e avalia o desempenho dos docentes.
(   )  possibilita momentos de construção compartilhada de ideias, projetos e ações e os coloca em prática no planejamento do ano letivo.
(   ) valoriza as habilidades individuais dos docentes promovendo o seu fortalecimento no dia a dia.
(  ) envolve o cuidado no trato com a equipe, os alunos e as famílias, promovendo momentos onde a comunidade atua junto com a escola.
2ª reflexão: Os valores para a boa convivência
- Valores como diálogo, respeito, cultura de paz, afetividade, cuidados, entre outros, fazem parte das relações cotidianas entre todas as pessoas, no ambiente e na rotina da escola? Eles são praticados com boa frequência?
- Há algum projeto em andamento abordando o tema “valores humanos”?
Uma vez que percorremos os conteúdos e a prática, é a vez de entender como o ambiente físico da escola está colaborando (ou não) para influenciar na formação da comunidade escolar (especialmente os alunos) para a aplicação da sustentabilidade em suas vidas e analisar se estão gerando o menor impacto possível nos recursos naturais.
Nesse momento, o ideal é fazer um estudo de meio dentro da própria escola, percorrendo os vários espaços com os docentes, anotando as percepções, ou apenas desenhando no mapa/croqui o cenário atual e o que poderia existir no lugar.
Para contribuir com essa reflexão, acesse aqui uma apresentação do Concurso Cultural Construindo Um Novo Planeta, promovido pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com o Instituto Supereco. Dessa iniciativa, surgiram desenhos inspiradores como o que ilustra este post. Veja outros aqui. Outro espaço rico em ideias é o site da Rede Vencer. Confira os cadernos de Educação para a Vida Sustentável.
Lembre-se que falta de espaço natural ou de recurso não são desculpas. Atualmente, existem muitas maneiras de usar pequenos cantos, dentro da sala de aula ou fora dela, como verdadeiros espaços sustentáveis, tornando-os agradáveis, estimulantes para o convívio e para a prática do que se ensina. Alguns exemplos são uma horta suspensa, uma pequena composteira, uma minicisterna de captação da água de chuva, um jardim aromático de ervas medicinais e temperos, uma ecobiblioteca ou uma cozinha com produção de alimentação saudável com receitas de reaproveitamento de talos, folhas e caules que iriam para o lixo.
Tenho certeza que irão surgir dezenas de ideias para múltiplas intervenções aí na sua reunião! Como não dá para fazer tudo de uma vez, organize todas as tarjetas num grande painel, agrupando por temas e afinidades a fim de que todos possam observar o produto final e eleger prioridades e ações , em cada um dos eixos propostos e em seu cronograma (de curto, médio e longo prazos). Depois, é só colocar as mãos na massa e envolver os alunos na grande transformação.
Mais uma dica importante: registre com depoimentos, fotos e vídeos de onde partiram, mostrando qual é o marco zero da sustentabilidade na escola. Depois inclua onde e como chegaram, para que todos possam comemorar as conquistas, divulgar nas redes sociais e contar aqui no nosso blog.
Comente, abaixo, como foi a experiência na reunião, trazendo dicas e dúvidas para nossa rede! E conte, também, se já vivenciou outras alternativas para traçar um diagnóstico sobre esse tema na sua escola.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Como incentivar a prática de leitura


 Para incentivar a leitura na comunidade, os pais foram convidados a ler para os filhos em sala de aula  (Foto: Manuela Novais)
Para incentivar a leitura na comunidade, os pais foram convidados a ler para os filhos em sala de aula (Foto: Manuela Novais)
A sala de aula e a casa são os locais onde as crianças mais ouvem histórias lidas por adultos, sejam eles professores ou familiares. Quando essa atividade não acontece em nenhum dos dois lugares, os pequenos deixam de ter um modelo de leitor experiente e o contato deles com o mundo escrito fica limitado. Percebo também que isso pode ter consequência na aprendizagem da leitura, da escrita e de outros conteúdos na escola.
Para resolver esse problema, a gestora e a equipe da EM Sebastião Araújo, onde trabalho como professora desde o ano passado, elaboraram o projeto Maleta Literária. Numa reunião pedagógica, a diretora me explicou que, há alguns anos, a instituição tem desenvolvido essa atividade como uma das ações de um projeto institucional que visa à formação de uma comunidade leitora. A ideia é incentivar a prática investindo em bons livros e numa rotina intensa de leitura pelos professores, pelos alunos e por todos os funcionários.
O projeto funciona da seguinte maneira: logo no início do ano letivo, a escola manda um comunicado aos pais, convidando-os a comparecer à instituição em uma data oportuna para realizar a leitura de um livro na classe da filha ou do filho. Assim que o convite é aceito, o professor, o coordenador ou o diretor organiza uma maleta com alguns livros de gêneros diversos e envia para o familiar. No dia marcado, a mãe ou o pai escolhe um dos exemplares ou seleciona um livro que tenha em casa e goste muito e lê para os alunos. A cada leitura, percebi que as crianças ficam mais animadas para que uma pessoa da família participe e se dispõem eles mesmos a pegar mais livros literários para ler.
Como levei o projeto para a escola onde sou coordenadora
Com a autorização da diretora, levei esse projeto para a escola em que sou coordenadora e apresentei aos professores, que gostaram da ideia. Juntos, definimos que a ação seria apresentada aos pais na reunião seguinte, na hora da leitura em voz alta que sempre acontece nesses encontros.
A recepção à ideia foi um sucesso e os familiares se envolveram muito nas atividades. É claro que, no começo, alguns ficaram receosos de participar, mas, com os relatos de outros pais, eles se animaram. Para ilustrar como a ideia deu certo, pedi a alguns familiares que me dessem depoimentos da experiência:
“O momento de leitura na classe foi muito interessante. Fiquei feliz em ver a alegria e a atenção dos alunos e a forma como eles participaram. Quando as crianças percebem nosso interesse pela leitura, elas também se interessam instantaneamente. Nossa participação também as incentiva a serem mais participativas nas atividades propostas pela escola”, Emiliane, mãe  de um aluno do 2º ano.
“A maleta literária mostra não só para as crianças, mas também para os adultos, como a leitura é importante. Depois que a inventaram, passamos a ler em família toda semana”, Jaqueline, mãede um aluno do 3º ano.
Encaminhamentos além do projeto
Com base no que o projeto rendeu, pensei em implantar as seguintes ações ao longo dos próximos meses:
  • Orientar as famílias na compra de títulos literários e nas estratégias de leitura em casa;
  • Planejar com os professores tarefas de casa envolvendo a leitura que possam ser feitas em parceria com os pais;
  • Promover visitas a bibliotecas externas à escola com os alunos;
  • Incentivar a participação dos professores em rodas de conversas com autores de livros;
  • Organizar saraus e contação de histórias;
  • Adquirir mais livros para a biblioteca da escola com o apoio da família;
  • Fazer leituras literárias durante as reuniões de módulo com os professores de forma a incentivá-los a ler para os alunos;
  • Apresentar títulos e gêneros variados para os professores, buscando diversificar o repertório deles;
  • Discutir e orientar os docentes na abordagem e na avaliação da leitura das obras literárias e nas estratégias para estimular o comportamento leitor nas crianças.
Ainda tenho um longo caminho pela frente nesse trabalho, mas, aos poucos, pretendo percorrê-lo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Como escolher o que ensinar?

Todos têm um palpite sobre o que deve ser ensinado na escola. Como escrevi no post anterior, são muitas as pressões sobre o professor, que acabam gerando inquietações, insegurança e podem atrapalhar o bom andamento do trabalho docente.
Professor, é preciso enfrentar essas inquietações com serenidade e tirar certos fardos das nossas costas. Um primeiro recado vindo diretamente do mundo real: quando escolhemos decidir ensinar alguma coisa, obrigatoriamente estamos escolhendo não ensinar outra. O nosso tempo é finito e, no caso da EJA, bem curto. Isso significa que sempre sobrarão assuntos importantes que não serão ensinados.
Se isso já acontece no ensino regular, que dirá na EJA, onde o tempo é bem mais escasso? Nem tudo que gostaríamos será tratado em aula! Temos que ter consciência e tranquilidade a esse respeito.
Por outro lado, essa realidade nos obriga a escolher a dedo os assuntos a ser abordados. Eles devem ser importantes para a sua área de atuação, interessantes de serem estudados e adequados para fazer os alunos avançarem o máximo possível no curto período em que passam conosco.
“Ok”, você dirá. “Que assuntos são esses, então?”
Seria impossível montar uma lista de tópicos que servisse a todos os cursos de EJA do Brasil. No entanto, descrevo a seguir alguns critérios que julgo importantes para escolher e montar um currículo, a partir do olhar da minha área (Ciências):
- Assuntos que favoreçam o aprendizado de habilidades fundamentais para compreender como se constrói conhecimento. Em Ciências, registrar dados e propor hipóteses são exemplos desse tipo de habilidades. Portanto, ao escolher o que ensinar, prefiro assuntos que me permitam propor atividades em que os alunos pratiquem esses procedimentos.
- Assuntos que abordem os conceitos estruturantes da área. No caso de Ciências, as ideias de energia, ambiente e transformação, por exemplo, são absolutamente essenciais e devem aparecer de um jeito ou de outro. Tanto faz se a ideia de energia é discutida quando se trata dos alimentos (as calorias são uma medida da energia contida na comida) ou quando se analisa o consumo de diferentes eletrodomésticos; o importante é que o conceito de energia, que é essencial, seja apresentado e discutido.
- Assuntos que tenham relevância social. Os temas abordados em sala devem de preferência relacionar-se a problemas e situações que os alunos e sua comunidade efetivamente vivenciam. O estudo desses temas deve ajudá-los a enfrentar essas situações de maneira mais embasada. Se você considera que um certo tema que ensina só tem relevância dentro da sala de aula, sugiro que repense a presença dele no seu planejamento!
- Assuntos que toquem no conhecimento que os alunos já possuem. Alunos da EJA têm uma grande vivência fora da escola e, ao escolher o que vou ensinar, privilegio temas que permitam colocar seus conhecimentos-prévios lado a lado com os saberes escolares. Comparando-os, os alunos podem refletir como cada tipo de saber é produzido, seus alcances, suas belezas e seus limites. Esse aspecto foi valorizado nos estudos que fizemos sobre a Lua. Esses são os principais aspectos que levo em conta na difícil tarefa de escolher o que ensinar (e de decidir o que não ensinar!). Ter clareza sobre eles me ajuda a responder a inquietante pergunta: será que o que ensino é importante para os alunos? E você, que critérios usa na hora de escolher os assuntos das aulas?

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Formação Online: cursos gratuitos nas melhores universidades do mundo


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A tecnologia não é só games e navegação na web, certo? Ela pode ser também uma valiosa ferramenta de aprendizagem para você, professor. Afinal, o mundo digital permite descobrir oportunidades de aprendizagem que não eram acessíveis há 20 anos. Hoje, o acervo de instituições de ensino no mundo todo começa a ser disponibilizado pela web (e a maioria de forma gratuita). Essas iniciativas investem nos chamados MOOCs (Massive Open Online Courses ou Cursos Online Gratuitos e Massivos) e indicam novos caminhos para a Educação em diversos segmentos.
Um exemplo é o portal E-aulas, da Universidade de São Paulo (USP), que reúne cursos on-line em diversas áreas do conhecimento, totalizando mais de 949 horas de aulas. A página da graduação em Pedagogia, por exemplo, tem material para quem quer se manter atualizado sobre temas como a Inclusão, com aulas do curso de Ensino de Ciências na Perspectiva da Educação Inclusiva. Também há opções de aulas em disciplinas como a Geografia, além de outras da área de Exatas e Biológicas.

A Coursera é outra plataforma virtual que oferece cursos on-line gratuitos. O site reúne aulas de universidades de ponta no mundo todo, como Princeton e Stanford, nos Estados Unidos. A maioria das aulas está em inglês, mas graças a uma parceria com a Fundação Lemann, o portal está lançando aulas traduzidas para português. A ideia é traduzir 12 cursos até o fim do ano.