quarta-feira, 18 de junho de 2014


Você sabe a diferença entre software livre e código aberto?


Oi, pessoal! Sou Felipe Costa, webmaster dos sites de NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR. Na nossa equipe, sou eu que programo o site. Preparei este post para falar sobre software livre e código aberto.
Você já ouviu esses dois termos e ficou sem saber o que isso quer dizer? Vamos esclarecer todas as suas dúvidas sobre o tema!
O software livre tem como objetivo permitir que as pessoas possam usar, estudar, modificar e redistribuir programas de computador ou somente seus códigos fonte (que são como receitas para criar outros programas). A única exigência é que, ao redistribuir o programa, ele permaneça livre para ser novamente alterado por outros usuários.
Outra vantagem é que esses programas não pertencem a uma empresa e podem ser baixados gratuitamente da internet. Já falamos um pouco sobre o tema neste post: Software livre: que bicho é esse?
Segundo a Free Software Foundation (Fundação do Software Livre), o software livre deve garantir quatro tipos de liberdade aos usuários:
1 – Liberdade de executar o programa para qualquer propósito;
2 – Liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para suas necessidades;
3 - Liberdade de redistribuir cópias do programa de modo que você possa ajudar outros usuários;
4 – Liberdade de modificar o programa e distribuir essas alterações, de modo que toda a comunidade se beneficie.
Um dos exemplos de software livre mais conhecido é o sistema operacional Linux. Há também oBrOffice: um pacote de aplicativos onde é possível escrever textos, alterar e criar imagens, organizar pesquisas de dados e produzir um jornal ou apresentações de slides. Ele é um equivalente do famoso pacote Office, que pertence à multinacional Microsoft.
Já o programa em código aberto, ou open source (em inglês), é aquele no qual o usuário pode modificar o código, de acordo com o que deseja usar. Porém, o desenvolvedor original do programa determina as condições de uso e de distribuição. Por exigir mais conhecimentos técnicos, os códigos abertos são geralmente manipulados por programadores.
O conhecido navegador Firefox, por exemplo, tem seu código aberto para modificação e redistribuição. Aliás, você já utilizou o Firefox para acessar seus sites e e-mails? Esse navegador gratuito conta com ótimos recursos, fruto justamente da colaboração de uma comunidade de programadores em todo o mundo. Assista ao vídeo promocional do Mozilla chamado “A web que queremos”.
Para o usuário comum, são poucas as diferenças entre programas de software livre e de código aberto. Mas agora, quando você encontrar programas com a sigla FLOSS (free/libre/open source software, em inglês), que quer dizer software de código livre/aberto, já saberá que é um programa que pode ser baixado gratuitamente e que pode ser aprimorado por programadores do mundo todo.

terça-feira, 17 de junho de 2014


Professora versus tia: qual é o papel da afetividade na Educação Infantil?


Professora Fernanda Nunes oferecendo diversos tipos de frutas aos seus alunos da Creche Nossa Senhora Aparecida, em Florianópolis (Foto: Eduardo Marques)
Há algum tempo, fui procurada pela mãe de um aluno da Educação Infantil que se queixava do fato da professora do filho não ser adequada para a função.
– O que a fez chegar a essa conclusão? – perguntei para a mãe.
E a resposta foi:
– É uma professora muito “seca”. Não demonstra afetividade. Imagine que as crianças nem a tratam por “tia”! Chamam-na pelo nome…
Indaguei se havia mais alguma observação além dessa e a resposta serviu para refletir toda a crença dela sobre o assunto:
- A Educação Infantil tem que ser uma continuação da casa, e chamar a professora de “tia” é uma demonstração de carinho de ambas as partes: professora e criança. Acho que ela não sabe o que é afetividade.
Nesses momentos, em que a família quer demonstrar seu conhecimento sobre a função e o papel da Educação escolar na vida dos filhos, todo cuidado é pouco! Embora muitas vezes nossa vontade seja a de colocar a mãe em seu devido lugar, a situação é bastante delicada para tanta frieza. O que acontece é que todas as demandas das mães são legítimas para elas. Cabe a nós, educadores, acolher os sentimentos de insegurança e dúvida e esclarecer as famílias com o embasamento teórico necessário para tranquilizá-las.
Os pais e responsáveis dos pequeninos acreditam, de fato, que a Educação Infantil deve ser um espaço de continuidade da própria casa, onde as crianças sejam cuidadas, possam conviver com outras crianças e se sentir felizes e seguras. Sendo assim, a figura do adulto responsável por promover e garantir tais condições é realmente próxima da figura de uma “tia”, preferencialmente daquela que mesmo não tendo se casado e tido filhos, adora crianças e, fará de tudo para “adoçar” o mundo de seus alunos. Além de ser um grande e desrespeitoso equívoco quanto ao papel do educador,  essa crença apresenta resquícios de uma concepção de Educação Infantil já superada.
Historicamente, as primeiras instituições educativas para as crianças pequenas surgiram na França, durante a Revolução Industrial.  A necessidade da mão de obra feminina implicava a criação de espaços destinados aos filhos das trabalhadoras. Portanto, essas primeiras instituições eram estritamente de cunho assistencial, ou seja, tinham como objetivo prover as crianças dos cuidados necessários para sua saúde e bem-estar, durante o período em que suas mães estivessem trabalhando. Essa visão assistencialista não demandava dos adultos responsáveis conhecimentos específicos além dos que tinham em relação aos cuidados com os próprios filhos, sobrinhos, netos, etc.
No Brasil, o antigo jardim da infância trazia muito dessa perspectiva do “cuidar”,condecorando as profissionais responsáveis pelos pequenos com o título de “tia”: um termo afetuoso dado para quem se torna responsável pelas crianças na ausência das mães. Não vou aqui enfocar a perspectiva ideológica dessa terminologia que destitui do educador sua identidade, tanto de sujeito como de profissional. Minha reflexão se volta para a confusão que o termo “tia” gera quando é considerado como símbolo de afetividade.
Com os avanços dos estudos na área da Psicologia do Desenvolvimento, a partir da segunda metade do século 20 cria-se uma nova concepção do que é ser criança e, portanto, do papel da Educação Infantil.  No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, clareia a necessidade de superar a visão assistencialista da creche e conceber a criança como sujeito social e possuidor de direitos. Assim, a especificidade da Educação de crianças de 0 a 6 anos tem o binômio cuidar/educar, como dimensões complementares, em que se considera o cuidar um compromisso com o outro, com sua singularidade, com suas necessidades, confiando em suas capacidades. E, é claro, disso depende a construção de um vínculo afetivo entre quem cuida e quem é cuidado.
A afetividade na Educação é indissociável da cognição. Ou seja: ela vai muito além das demonstrações de carinho, do “colinho” dado aos pequenos e dos beijos e abraços apertados… Entendemos a afetividade como uma dimensão da psique humana que alimenta e é alimentada pela cognição. Assim, a criança se sente segura e feliz não porque chama sua professora de “tia”, mas porque o ambiente que lhe é apresentado é, ao mesmo tempo,instigante e acolhedor. A afetividade envolve o autoconhecimento: o que gosto, de que tenho medo, como eu me sinto diante de diversas situações, enfim, quem eu sou. E nesse processo de construção da própria identidade, o nome de cada um está presente como representação de parte da sua própria história. Não é a toa que logo no início do ano, prepara-se quadros com fotos dos pequenos e seus familiares. São momentos importantes para trabalhar com os temas da família e da identidade. E está aí uma ótima oportunidade para a criança perceber que em nenhuma das fotos há a imagem da tia/professora. Só estão as pessoas consideradas da família. A professora não é da família. É uma pessoa que escolheu trabalhar com a Educação e que também tem um nome. Por experiência própria, posso garantir que não há nenhum trauma nisso. Há, sim, a insistência – mais por hábito do que por provocação – por parte da família em perpetuar o simbolismo presente na nomenclatura “tia”. Mas nada que nossos esclarecimentos científicos não possam reverter. Novamente nossa premissa para o trabalho na e da escola é o conhecimento.

segunda-feira, 16 de junho de 2014


Futebol é “coisa de menina”?


Pronto! A copa começou… mesmo com todos os prós e contras, este evento mexe com a população brasileira e promove uma comoção nacional. As crianças são as que mais se envolvem no clima do esporte. Chutar a bola, driblar, fazer embaixadinhas, defender no gol… passa a ser a brincadeira predileta tanto de meninos como de meninas. É certo que os meninos costumam ser maioria na prática do jogo, mas muitas garotas já compartilham o desejo e o prazer em jogar futebol. E aí vem a pergunta que não cala nunca: futebol é brincadeira pras meninas?
Houve uma época em que a resposta era não. O senso comum dizia que futebol era  jogo pra menino, assim como brincar de boneca e de casinha eram “coisas de menina”. Contudo, esse é um mecanismo social que serve para desenvolver e moldar homens e mulheres a seguirem determinados comportamentos, habilidades e traços de personalidade considerados adequados para cada gênero. O papel de gênero não é estabelecido somente pelo fato de se nascer com um determinado sexo. Ele é construído cumulativamente por meio das experiências ao longo da vida, entre elas as brincadeiras.
Para os homens, estavam destinadas as atividades que contribuíssem para o desenvolvimento de sua masculinidade, que em nossa cultura significa serem reconhecidos como provedores, protetores, competitivos, fortes e viris. O futebol é um excelente “treino” para estimular essas características, enquanto a brincadeira de boneca seria perfeita para o que se espera de uma mulher: que sejam zelosas, meigas, sensíveis, frágeis… Essas atribuições psico-socioculturais, aliadas às atitudes envolvidas em brincadeiras infantis, artísticas e esportivas, acabam modelando como são enxergados os comportamentos masculino e o feminino em cada sociedade.
Brincadeiras e sexualidade
Recebemos aqui no blog um bom exemplo para falar sobre esse assunto.  Uma professora nos conta sobre dois meninos que possuem trejeitos femininos, gostam de brincar somente com as meninas, participam das danças e teatros que a escola promove, mas não participam dos esportes ditos masculinos e, por isso, são constantemente perseguidos pelos colegas.
Hoje, a gente sabe que nenhuma brincadeira ou atividade é da natureza dos meninos ou meninas. Ela faz parte da diversão e do desenvolvimento de ambos os sexos, de acordo com a aptidão e a identificação de cada um.
Brincar é fundamental para o desenvolvimento da criança. Por meio da brincadeira, ela treina ações futuras, aprende novos papéis, ensaia os comportamentos esperados para o seu gênero, elaborando as informações que foram transmitidas para ela. E isso pode acontecer, mesmo que essas brincadeiras não sejam exatamente aquelas que se instituiu como adequadas para determinado sexo.
O fato de um garoto preferir a dança ao futebol pode fazer com que ele não desenvolva a competitividade, mas pode fazer com que ele aprenda a lidar com uma garota, além de se tornar um grande parceiro na dança, um namorado atencioso e um homem gentil. A forma como cada um decide se portar como homem ou mulher não é determinante para a orientação sexual. Portanto, não faz sentido associar homossexualidade ou heterossexualidade com obediência aos comportamentos esperados para o gênero.
Como a escola pode lidar com esta situação
No caso que acabo de citar, o professor deve conversar com as crianças para tentar descobrir as razões pelas quais elas se negam a fazer determinadas atividades. O objetivo não é encontrar um jeito de fazer a criança brincar do que não gosta, mas de identificar se há algo por trás dessa rejeição, como não considerar positivo ser daquele gênero.
Geralmente, a criança tende a imitar as atividades realizadas tanto pelo pai e pela mãe como pelo professor. Esse comportamento é uma resposta ao processo de identificação pelo qual toda criança passa: no início, imita as pessoas que têm para ela grande valor afetivo. Depois, ao se perceber do sexo feminino ou masculino, ela passa a repetir comportamentos de pessoas do mesmo gênero.
Por meio dessas vivências, a criança incorpora aspectos de seu cotidiano que vão reforçar ou inibir sua identificação com pessoas do mesmo sexo. Nesse processo, é importante que ela veja características positivas no pai e na mãe. E mais: que o progenitor do mesmo sexo que ela seja valorizado pelo sexo oposto. Portanto, os comentários depreciativos sobre qualquer um – homem ou mulher – devem ser evitados por parte dos adultos e mesmo por outras crianças.
Uma boa forma de encaminhar essa questão é estimular o processo de identificação para que se aceite o próprio sexo, desenvolvendo trabalhos de valorização dos papéis masculino e feminino. Uma sugestão é elaborar atividades em que todas as crianças falem sobre os aspectos positivos de ser menino ou menina, buscando exemplos ilustrativos (recortes de revistas ou fotografias) de homens e mulheres que eles admiram.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Três sites para criar páginas de graça na internet

 | Dica de site, Tutorial
Ferramentas gratuitas para criar sites. Blog Tecnologia na Educação. Editoria de arte
Criar um site pode ser muito útil para compartilhar vídeos, imagens e textos com seus alunos ou colegas de escola. Já apresentamos no blog um tutorial em vídeo sobre como usar o Google Sites para construir um ambiente virtual e deixar seus materiais disponíveis para todos.
Nesse post, indicamos mais três sites gratuitos que oferecem esse serviço. Todos são bastante simples e não exigem que você conheça linguagem de programação para criar uma  página bacana.
Confira as dicas e escolha o que melhor atende seus objetivos!
Como funciona: com apenas alguns cliques, você escolhe o modelo e o nome do seu site. A cada etapa, a página orienta o usuário sobre os próximos passos e dá dicas de como incrementar a produção. Todas as instruções são dadas em português. O layout do site se adapta ao tamanho das telas de computadores, tablets e celulares. Além disso, é possível acrescentar caixas para receber comentários do Facebook e botões de compartilhamento.
É bacana porque: o site também oferece dicas para utilizar boas palavras-chave na construção do seu site, permitindo que a página seja facilmente encontrada em páginas de busca, como Google, Bing e Yahoo, o que aumentar o número de acessos.
Como funciona: depois de selecionar seu modelo de layout preferido, é possível criar sua página apenas modificando o exemplo. Ou seja, é possível substituir fotos e textos já disponíveis por suas próprias imagens e arquivos. Há também ferramentas para alterar o design, escolhendo cores e mudando fontes. O site é bem fácil de navegar e os textos estão em português. O layout também se adapta ao tamanho das telas de computadores, tablets e celulares.
É bacana porque: entre as opções de modelo, há layouts para páginas dedicadas a comunidades e à Educação. Na seção App Market, o usuário pode escolher todos os “acessórios” que deseja colocar em suas páginas, como GoogleMaps, comentários do Facebook, campo de busca no próprio site, entre outros.
Como funciona: assim como as dicas anteriores, esse site oferece opções de modelos para que o usuário dê início à criação de sua página. Em comparações com os outros, há menos recursos gratuitos disponíveis. Para inserir o campo de busca ou galeria de imagens, por exemplo, é preciso pagar. As instruções dadas ao usuários estão em português e em inglês.
É bacana porque: o site é bastante intuitivo e fornece sugestões aos usuários de como incrementar sua página. Em um clique, é possível adicionar ícones de redes sociais e criar fóruns de discussão.


Três sites para criar páginas de graça na internet

Ferramentas gratuitas para criar sites. Blog Tecnologia na Educação. Editoria de arte
Criar um site pode ser muito útil para compartilhar vídeos, imagens e textos com seus alunos ou colegas de escola. Já apresentamos no blog um tutorial em vídeo sobre como usar o Google Sites para construir um ambiente virtual e deixar seus materiais disponíveis para todos.
Nesse post, indicamos mais três sites gratuitos que oferecem esse serviço. Todos são bastante simples e não exigem que você conheça linguagem de programação para criar uma  página bacana.
Confira as dicas e escolha o que melhor atende seus objetivos!
Como funciona: com apenas alguns cliques, você escolhe o modelo e o nome do seu site. A cada etapa, a página orienta o usuário sobre os próximos passos e dá dicas de como incrementar a produção. Todas as instruções são dadas em português. O layout do site se adapta ao tamanho das telas de computadores, tablets e celulares. Além disso, é possível acrescentar caixas para receber comentários do Facebook e botões de compartilhamento.
É bacana porque: o site também oferece dicas para utilizar boas palavras-chave na construção do seu site, permitindo que a página seja facilmente encontrada em páginas de busca, como Google, Bing e Yahoo, o que aumentar o número de acessos.
Como funciona: depois de selecionar seu modelo de layout preferido, é possível criar sua página apenas modificando o exemplo. Ou seja, é possível substituir fotos e textos já disponíveis por suas próprias imagens e arquivos. Há também ferramentas para alterar o design, escolhendo cores e mudando fontes. O site é bem fácil de navegar e os textos estão em português. O layout também se adapta ao tamanho das telas de computadores, tablets e celulares.
É bacana porque: entre as opções de modelo, há layouts para páginas dedicadas a comunidades e à Educação. Na seção App Market, o usuário pode escolher todos os “acessórios” que deseja colocar em suas páginas, como GoogleMaps, comentários do Facebook, campo de busca no próprio site, entre outros.
Como funciona: assim como as dicas anteriores, esse site oferece opções de modelos para que o usuário dê início à criação de sua página. Em comparações com os outros, há menos recursos gratuitos disponíveis. Para inserir o campo de busca ou galeria de imagens, por exemplo, é preciso pagar. As instruções dadas ao usuários estão em português e em inglês.
É bacana porque: o site é bastante intuitivo e fornece sugestões aos usuários de como incrementar sua página. Em um clique, é possível adicionar ícones de redes sociais e criar fóruns de discussão.

quinta-feira, 12 de junho de 2014


Estamos perdendo tempo nas reuniões pedagógicas?

Professores se reúnem para discutir planejamento pedagógico na EMEF Profª Hilda Weiss Trench, em Itapetininga (SP). Foto: Gabriela Portilho
Professores se reúnem para discutir planejamento pedagógico na EMEF Profª Hilda Weiss Trench, em Itapetininga (SP)
“As reuniões pedagógicas são perda de tempo”.  Já ouvi essa frase de muitos professores em várias escolas diferentes. Sempre me incomoda perceber que alguns docentes encaram o momento de discutir coletivamente as questões da escola como algo inútil ou perda de tempo, pois é justamente nesse momento que decisões pedagógicas importantes podem ser tomadas. É preciso retomar o papel desses encontros e sua importância para melhorar a prática docente e o trabalho com a equipe gestora.
Sem pretender fazer uma lista exaustiva, podemos dizer que a reunião de professores serve para:
- organizar demandas do cotidiano escolar.
- organizar intervenções interdisciplinares.
- discutir casos de alunos que demandam uma decisão coletiva.
- oportunidade de estudar em conjunto.
No entanto, por vários motivos, muitas reuniões acabam de fato sendo mal utilizadas. Talvez por falta de preparação e de clareza sobre os objetivos do encontro, a conversa acaba sendo improdutiva e nada é resolvido.
Além disso, há “indisciplina” por parte dos  próprios participantes, que se dispersam ou fazem outras coisas durante a reunião (preenchem diário, corrigem provas, conversam paralelamente, usam o celular)… Atitudes que só contribuem para piorar a situação.
Mesmo quando a reunião é bem preparada e conduzida, pode ficar centrada apenas nas questões organizacionais: discutir e informar cronograma, distribuir tarefas relativas a projetos ou aulas, dividir grupos de alunos para os mais variados fins… Demandas que toda escola tem e que precisam ser atendidas!
Porém, quando isso acontece, outros aspectos são deixados de lado, principalmente o estudo conjunto e a reflexão sobre a prática. Isso gera um círculo vicioso porque, se nós professores não vivenciamos reuniões formativas e reflexivas, acabamos nos acostumando com a ideia de que os momentos coletivos servem apenas para organizar tarefas (e, portanto, não servem para estudar…).
Na EJA, isso é especialmente complicado, pois há muita carência de materiais e propostas pedagógicas, o que eleva a importância do trabalho em equipe. Além disso, a singularidade das turmas é muito marcante, o que torna ainda mais importantes os momentos de compartilhar ideias e refletir coletivamente sobre a prática.
Uma das possibilidades é reservar logo no início do ano, durante o planejamento, algumas reuniões cujo foco seja de fato o estudo coletivo. Talvez assim seja possível garantir que esses momentos não sejam completamente tomados pelas demandas de organização.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

As novas gerações de professores e as brincadeiras tradicionais

Alguns professores novatos não conheciam as brincadeiras das crianças. Por isso, organizei uma formação para que eles vivenciassem essas atividades (Foto: Leninha Ruiz)
Alguns professores novatos não conheciam as brincadeiras das crianças. Por isso, organizei uma formação para que eles vivenciassem essas atividades (Foto: Leninha Ruiz)
Brincar é a linguagem da criança e a escola de Educação Infantil é o lugar onde as brincadeiras são aprendidas e têm um momento reservado para acontecer todos os dias. Mas o que acontece quando os professores não sabem brincar?
Nos últimos anos, tenho notado que as brincadeiras tradicionais, como corre cutia, elefantinho colorido, queimada, pula-elástico e até pular corda, não fizeram parte da infância dos professores mais novos. Por isso, eles acabam ficando excluídos desse momento da rotina dos alunos simplesmente porque não sabem como brincar.
Antes de essa geração chegar à escola, essas brincadeiras faziam parte dos planejamentos e nós, coordenadores, precisávamos apenas discutir com os professores a adequação delas ao espaço e à faixa etária de cada turma e a melhor maneira de encaminhar a atividade para assegurar a participação de cerca de 25 ou 30 crianças. Só tínhamos de aprender as regras de outras quando vinham profissionais de outras regiões do país que traziam brincadeiras de suas terras natais, como parede mágica e a raposa e os pintinhos (clique aqui para ver como brinca).
O que eu fiz na escola para reverter essa situação?Outro ponto que eu observei foi que, de uns anos para cá, pelo menos nas grandes cidades, se tornou incomum ter um quintal em casa e ficou perigoso brincar nas ruas, ocupadas pelos carros. Isso, entre outros fatores, fez com que as crianças passassem muito mais tempo na frente da televisão e deixassem de aprender brincadeiras com irmãos, primos e vizinhos.
Durante um tempo, os professores mais experientes tentaram explicar para os novatos como eram as brincadeiras e ensinaram as músicas ou parlendas dos jogos. Na prática, no entanto, eu não via nenhuma das brincadeiras acontecer. Inclusive, percebi que algumas turmas só sabiam brincar nos brinquedos do parque ou ficar correndo de um lado para o outro.
Nessa hora, eu tive que intervir. Para isso, organizei uma formação para que os professores vivenciassem as brincadeiras. Ler e discutir com a equipe docente como se brinca não seria uma boa alternativa nesse caso!
O caminho foi criar oficinas. Combino com os professores que venham para a formação vestidos com roupas confortáveis. Convido também os estagiários da escola para aumentar o número de participantes e dar a chance a eles de aprender. Já aconteceu de apenas quatro professores comparecerem. Nesse caso, chamei a turma de 5 anos para brincar junto.
O resultado foi uma revolução, já que os professores passaram a se divertir vivenciando os jogos e brincadeiras e passaram a assegurar nas rotinas o aprendizado e também a diversão das crianças.