quinta-feira, 31 de julho de 2014


“Infância na roça”: partindo das experiências dos alunos, de fato.


Alunos de EJA em noite de autógrafos para o lançamento do livro Infância na Roça, de autoria coletiva
Muito se fala, na EJA, em usar as experiências dos alunos para promover o aprendizado.
No entanto, sabemos o quanto é difícil realmente colocar isso em prática. Nós, professores, temos uma lista de conteúdos que pretendemos que os estudantes aprendam e é muito difícil fazê-la coincidir com as experiências e objetivos deles. Muitas vezes, nos vemos conduzindo atividades que são do nosso interesse, mas não dos alunos; quando isso acontece, na melhor das hipóteses, eles “fazem por fazer”, “fazem porque o professor pede”, mas não porque consideram importante. O resultado são aulas burocráticas, desanimadas e pouco produtivas.
Compartilho aqui uma proposta que valorizou a experiência dos alunos e conseguiu atingir objetivos de aprendizagem muitíssimo relevantes:  o trabalho de Ana Cristina Campos e Paula Takada, educadoras do Projeto Tempo Certo, em São Paulo, SP.
Ana Cristina e Paula partiram das lembranças que os alunos tinham dos brinquedos de sua infância para produzir um livro de histórias. O público-alvo desse livro seriam as crianças da creche que funciona no mesmo espaço em que a turma da EJA. Contar como a sua infância, na zona rural, transcorreu de forma diferente da desses pequenos, moradores da maior cidade do Brasil, foi uma grande motivação e os estudantes se envolveram totalmente.
Por se tratar de uma turma de alfabetização, as professoras tiveram a intenção de desenvolver habilidades de leitura e escrita durante todo o processo. Assim, os alunos leram contos de outros autores, rememoraram suas infâncias juntos em rodas de conversa, escreveram e reescreveram suas histórias. Até o título do livro foi assunto de bastante debate: “Infância na Roça”.
Um ponto que considero muito interessante nesse projeto é a desmistificação da ideia de que ser escritor é um dom, e que os bons escritores produzem sempre textos geniais logo na primeira versão. Ficou claro para os alunos que escrever é um processo trabalhoso, que requer análises, correções, revisões, reescritas, até que se chegue a um texto satisfatório.
Outro aspecto importante: a preocupação com todo o processo e não apenas com o produto. É claro que a perspectiva de fazer um livro motiva e impulsiona os alunos. Mas os professores devem ter a clareza de que o produto é uma consequência do trabalho desenvolvido e, portanto, vale a pena dar sentido para todas as etapas, não apenas para o resultado final. Ana Cristina e Paula enfatizaram bastante esse aspecto, chamando a atenção dos estudantes para os avanços e dificuldades que estavam tendo enquanto produziam o livro.
Acima de tudo, o trabalho “Infância na Roça” reforça que a memória dos alunos pode ser explorada como um grande recurso nas aulas da EJA. A variedade de experiências deles é imensa, o que tornam também imensas as possibilidades de trabalho.

quarta-feira, 30 de julho de 2014


Espaço: a organização também é uma intervenção pedagógica


Na Educação Infantil, a conquista da autonomia é um dos principais objetivos. Por isso, a organização do espaço é determinante na aprendizagem das crianças (Foto: Gabriela Portilho)
Na Educação Infantil, a conquista da autonomia é um dos principais objetivos. Por isso, a organização do espaço é determinante na aprendizagem das crianças (Foto: Gabriela Portilho)
Nas salas de aula da Educação Infantil, a organização do espaço, dos materiais e dos brinquedos é determinante na aprendizagem das crianças. Nessa etapa da escolaridade, a progressiva conquista da autonomia é um dos principais objetivos.
É fundamental sempre reorganizar as salas de aula, com a renovação de cartazes, listas e jogos, o descarte de materiais e brinquedos quebrados ou sem peças, a arrumação do canto da leitura e a troca da temática do canto de faz de conta. Se no semestre passado era uma cozinha, agora pode ser um pet shop, um supermercado ou uma fazendinha. Assim, a turma pode inventar novas brincadeiras.
Para fazer tudo isso, o professor precisa de tempo e do apoio da equipe gestora. Vamos refletir sobre como você pode ajudar?
Formação com foco no espaço
Antes de partir para a organização, é interessante fazer uma formação coletiva sobre a importância do espaço na aprendizagem dos pequenos. A discussão deve tratar, inclusive, sobre a questão estética e a forma como um ambiente “clean” interfere no bem-estar de todos.
Acredito que não há nada melhor que refletir e discutir coletivamente para potencializar o olhar de cada professor.
Uma possibilidade bacana é visitar outra instituição com o olhar na organização do espaço.  É impressionante como existem soluções extraordinárias para os cantos de faz de conta, leitura e prateleiras de arte e jogos. Conheci um canto que era uma churrasqueira muito bacana e toda feita de caixas de papelão com direito a vários acessórios. A criançada curtia muito!
Se não for possível se deslocar, dentro da própria escola já será possível ampliar o olhar do professor se planejarmos uma reunião com esse foco.  Abaixo, compartilho com vocês uma proposta de pauta para esse encontro, que deve ser compartilhada previamente com os professores.
Pauta da formação sobre espaço
  1. Cada professor responde individualmente a questão: “Como a organização do espaço interfere na aprendizagem das crianças?”.
  2. As respostas são socializadas e ampliadas com base na leitura de um trecho do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – Volume 1 (cliqueaqui para acessar o documento ) que trata da acessibilidade dos materiais.
 Outro ponto importante a ser ressaltado diz respeito à disposição e organização dos materiais, uma vez que isso pode ser decisivo no uso que as crianças venham a fazer deles. Os brinquedos e demais materiais precisam estar dispostos de forma acessível às crianças, permitindo seu uso autônomo, sua visibilidade, bem como uma organização que possibilite identificar os critérios de ordenação.
É preciso que, em todas as salas, exista mobiliário adequado ao tamanho das crianças para que estas disponham permanentemente de materiais para seu uso espontâneo ou em atividades dirigidas. Este uso frequente ocasiona, inevitavelmente, desgaste em brinquedos, livros, canetas, pincéis, tesouras, jogos etc. Esta situação comum não deve ser pretexto para que os adultos guardem e tranquem os materiais em armários, dificultando seu uso pelas crianças. Usar, usufruir, cuidar e manter os materiais são aprendizagens importantes nessa faixa etária. A manutenção e reposição destes materiais devem fazer parte da rotina das instituições e não acontecer de forma esporádica. (RCNEI, Volume 1 – página 71)
  1. Os professores são convidados a visitar todas as salas de aula e preencher a seguinte tabela, com base na observação.
Número da sala……………….……………….……………….
Boas soluções……………….……………….……………….
Sugestões de melhoria……………….……………….……………….
De volta à sala de reuniões, todos compartilham as anotações.Se houver mais de cinco professores na reunião, é pertinente que preencham os impressos em duplas. Diga a eles que a ideia é poder contar com o olhar de diferentes pessoas e que, coletivamente, podemos potencializar as organizações das diferentes salas.
  1. Por fim, cada professor vai à sua sala para começar o trabalho.
Como é a sala ideal de Educação Infantil
Abaixo, listei alguns detalhes que merecem atenção e que acredito fazer toda a diferença na sala de aula:
  • Salas com muitos enfeites ficam poluídas. Os materiais e brinquedos já são suficientemente coloridos para deixar o ambiente alegre;
  • Cartazes e listas devem ficar ao alcance dos olhos das crianças, afinal, a função é despertar o comportamento leitor, ainda que as crianças pequenas só o imitem no início da escolaridade;
  • O ato de forrar prateleiras com papel deve ser repensado. Em pouco tempo, ele rasga, descola ou desbota, deixando o ambiente mal arrumado;
  • Quando se tem muitos brinquedos ou jogos de encaixe é possível fazer um revezamento, guardando alguns e disponibilizando outros semanalmente;
  • Pintar, encapar e identificar latas para canetas e pincéis e caixas de jogos, para folhas de desenho ou objetos de pintura é uma boa alternativa para facilitar o acesso das crianças.
São muitas as possibilidades de melhoria no espaço e na organização dos materiais, inclusive nos ambientes de responsabilidade do coordenador, como a sala de formação e os materiais de uso coletivo dos professores. Por isso, que tal reservar um tempinho para cuidar dessa arrumação? 

terça-feira, 29 de julho de 2014


É tempo de organizar o que vem pela frente


O segundo semestre letivo é considerado por nós, educadores, e também pelos alunos, como a reta final. Período em que temos a sensação de que o tempo passa ainda mais rápido em relação a todas as questões ainda por serem resolvidas. Sentir certa ansiedade é quase inevitável. Portanto, planejar é preciso.
Pensar em planejamento nos remete a outra necessidade: administrar o tempo que nos resta para a conclusão dos trabalhos do ano letivo. Em outras palavras, diferenciar o que éurgente do que é importante. Nem sempre conseguimos isso. Principalmente na escola, onde todas as demandas parecem ser urgentes. Corremos o tempo todo na tentativa de resolver as urgências do dia a dia – que nem sempre incidem sobre o que de fato é importante. Eleger a pauta importante não é descartar a urgente, principalmente quando uma está atrelada à outra. Mas, sim, ter clareza e consciência dos objetivos que foram traçados e que se deseja alcançar.
Embora cada escola elabore seu planejamento, o objetivo final comum a todas as instituições de ensino é o êxito do aluno. Durante o primeiro semestre, muitos foram os meios utilizados para se atingir o fim planejado. Agora é hora de avaliar o que atendeu aos objetivos e o que necessita de mudança. Claro que esse olhar avaliativo é processual e acompanha nosso trabalho sistematicamente. Entretanto, não estou me referindo aos ajustes pedagógicos e metodológicos necessários e permanentes. Refiro-me ao trabalho focado para o que há de mais importante para a conclusão do ano letivo: a construção do conhecimento e o desenvolvimento do aluno.
Assim, é o momento de centrar todos os esforços e energias para provocar a necessidade do conhecimento – caso ainda haja dúvida quanto a isso. Nesse sentido, de posse dos resultados do primeiro semestre, o próximo passo é, em conjunto com a equipe docente, compreender os diferentes motivos que contribuem para que muitos dos alunos cheguem ao segundo semestre já pendurados em baixos resultados. Parece óbvio, mas não é, pelo simples fato de que esse momento de buscar explicações para os resultados atingidos se encerra com respostas repetidas e simplistas, delegando exclusivamente para o aluno a responsabilidade dos resultados alcançados.
Pulemos a parte das falas que apontam como motivos do baixo desempenho a falta de atenção, de responsabilidade, de envolvimento da família… Já sabemos que há uma parcela de alunos que apresentam postura inadequada e negligente quanto aos estudos. Aliás, uma parcela muito significativa. Não discordamos de que realmente sejam motivos quecontribuem para o pouco aproveitamento dos alunos. Contribuem, mas não determinamos resultados. Agora é partir para o ataque. O discurso da lamentação paralisa e imobiliza. E o que precisamos é de ação.
Quais são as reais dificuldades? Leitura e interpretação deficientes? Cálculos matemáticos? Escrita comprometida? Desorganização textual? São essas as urgências importantes. É hora de assumir pra si a responsabilidade de mudar o cenário e fazer o que ainda não foi feito. Na maioria das vezes, as dificuldades que os alunos apresentam estão mais ligadas às lacunas pedagógicas que vão surgindo ao longo da vida escolar, do que propriamente ao conteúdo atual. A organização de grupos de estudos complementares –particularmente, eu não gosto e não uso o termo reforço escolar – é um bom começo de semestre. O trabalho com oficinas permite o retorno às raízes das dificuldades, com um tom mais criativo e mais envolvente, além de ser uma ótima oportunidade de interação entre pares, de exercício pleno do respeito mútuo e das regras de convivência.
Entendo que o sentido de oficina é o de mestre e aprendizes trabalhando e produzindo juntos. Oficinas de leitura, de escrita, de Matemática, entre outros, também são boas opções, organizando pequenos grupos, em horários alternados aos das aulas, para um trabalho diferenciado voltado para as especificidades de cada um, com duração de 90 minutos, duas a três vezes por semana.
Dessa forma, planejar o segundo semestre é priorizar o trabalho com o conhecimento. Assim, é importante lembrar que as datas festivas e eventos surpresas não podem subtrair do aluno nem o tempo nem a presença dos professores que, muitas vezes, são convidados a assumirem a organização de projetos caídos de paraquedas na escola. Isso não significa que festas, eventos e projetos devam ser descartados mas, sim, planejados também.

segunda-feira, 28 de julho de 2014


Como transformar a reunião de pais em um momento formativo para toda a comunidade


A reunião de pais é uma grande oportunidade para estreitar a parceria da escola com as famílias. No encontro, os professores e os gestores têm a chance de conhecer mais de perto a realidade dos alunos e compartilhar o que está sendo desenvolvido pela instituição e quais são os resultados.
Porém, é comum a escola ter dificuldade para garantir a participação dos pais e preparar a pauta da discussão. Essas também eram preocupações das gestoras da EMEF Manoel Gomes dos Santos, em Ferraz de Vasconcelos, São Paulo. Apesar dos responsáveis comparecerem, muitos não tinham tempo para permanecer no local. Além disso, as gestoras sentiam falta de trabalhar temas que fossem além da aprendizagem das crianças.
Na visita, Maura Barbosa, consultora pedagógica de GESTÃO ESCOLAR, fala sobre como antecipar o que será discutido na reunião, convidar os familiares e ir além da sala de aula.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

   Análise dos cadernos dos alunos, uma ferramenta de trabalho


As anotações feitas pelos alunos revelam as práticas de ensino dos docentes em um determinado tempo e são bons indícios de como andam as aprendizagens dos alunos (Foto: Manuela Novais)
As anotações feitas pelos alunos revelam as práticas de ensino dos docentes em um determinado tempo e são bons indícios de como andam as aprendizagens dos alunos (Foto: Manuela Novais)
Existem muitas formas possíveis de acompanhar o trabalho dos professores na escola, não é mesmo? Eu considero a análise dos cadernos das crianças uma das mais interessantes e reveladoras. As anotações feitas pelos alunos revelam as práticas de ensino dos docentes em um determinado tempo. E mais: são bons indícios de como andam as aprendizagens dos alunos, da estrutura das aulas e das sequências das práticas em sala de aula.
Para definir alguns dos temas que serão trabalhados nos encontros de formação, realizo periodicamente a análise do material das crianças e observo como os conteúdos foram trabalhados. Fazer isso regularmente, pelo menos quatro vezes no bimestre, é importante porque as estratégias pedagógicas utilizadas podem mudar de acordo com o conteúdo trabalhado pelos professores.
É interessante observar como um mesmo docente pode, por exemplo, considerar o uso de diferentes estratégias para uma mesma atividade de Matemática e, outras vezes, apresentar um novo conteúdo através de uma explicação primeiro para depois aplicar várias atividades de fixação. Em Língua Portuguesa, essas diferenças também acontecem. Muitas vezes, os professores conseguem identificar o tipo de habilidades de leitura que devem cobrar e trabalham com textos variados, mas não mantêm uma regularidade de um determinado gênero para que os alunos entendam a linguagem e os recursos que são comumente utilizados.
Como eu acompanho os cadernos?
Reservo datas em meu cronograma que serão dedicadas a essa análise mais aprofundada das anotações das crianças. Como ali existem muitas informações, é possível analisar diferentes aspectos. Para que eu não me perca e faça um trabalho bem focado, organizo uma pauta de observação, na qual escrevo os registros importantes que depois servirão de apoio para o planejamento do plano de intervenção pedagógica.
Não procuro dar conta de todos os aspectos em uma única leitura, por isso, escolho um deles para cada dia. Listei abaixo algumas sugestões de análise, baseada na minha própria experiência:
  • Análise geral do uso do caderno: sequência, cuidado, organização;
  • Análise de aspectos específicos do uso: referências para localização de temas/conteúdos estudados, cronologia, qualidade dos registros, existência de um roteiro diário para organização do dia e facilitar o acompanhamento dos pais;
  • Estratégias e propostas de ensino: se são diversificadas e diferenciadas de acordo com as necessidades de aprendizagens dos alunos;
  • Como são as anotações realizadas pelos alunos? Há registros do que estão aprendendo?
  • Quais e como os conteúdos foram trabalhados pelo professor? Estão de acordo com o planejamento curricular?
  • O caderno possui registro do professor? Como ele registra suas observações a respeito do processo do aluno e faz a devolutiva escrita para eles;
  • Qual é o objeto de ensino do professor? Qual é a concepção de ensino do professor?
  • Quais atividades foram oferecidas e o tempo destinado para desenvolvê-las? As atividades são desafiadoras?
  • Possui propostas de produção de texto?
  • Qual foi a base do planejamento do professor? Foi apenas o livro didático ou ele utiliza outro recurso?
  • O caderno tem uma relação com a rotina do professor?

quarta-feira, 23 de julho de 2014


Os afazeres de reinício na Educação Infantil


No meio do ano, o coordenador pedagógico já conhece o grupo de professores e sabe quais são os pontos fortes e fracos. (Foto: Gabriela Portilho)
No meio do ano, o coordenador pedagógico já conhece o grupo de professores e sabe quais são os pontos fortes e fracos. (Foto: Gabriela Portilho)
Existem algumas vantagens para o coordenador pedagógico no recomeço do ano letivo. Além de ter um olhar mais focado, ser capaz de fazer reflexões mais pontuais e ter maior clareza sobre as metas a ser atingidas devido ao distanciamento de algumas semanas do dia a dia escolar, ele já conhece o grupo de professores e sabe quais são os pontos fortes e fracos.
Abaixo, listei as ações que considero pertinentes para essa época do ano.
Planejar a reunião de retorno. Acho importante ter clareza do que cada turma deve aprender até o final do ano. É bom, então, retomar as expectativas de aprendizagem de cada eixo e, junto com o grupo de professores, marcar o que já foi assegurado e o que precisa ser alcançado nos próximos meses nos diferentes níveis. Vale a pena preparar o material com base nas análises efetuadas no final do primeiro semestre.
Se fizermos isso envolvendo todos os professores da escola, temos a possibilidade de compartilhar as responsabilidades e de fazer todos se comprometerem coletivamente. Uma coisa é saber da sua turma, outra é você se sentir parte de um projeto pedagógico, compreender que o que os seus alunos aprendem ou precisam aprender estará ancorado no fazer pedagógico de cada professor do nível anterior ou posterior.
Auxiliar a revisão e a adequação dos projetos e sequências. O coordenador é o parceiro mais experiente e tem um olhar longitudinal sobre as aprendizagens. Por isso, ele será o apoiador e orientador dos professores. É na prática e com muito estudo que se aprende a fazer intervenções pertinentes e a ajudar o grupo. Por isso, antes da reunião de retorno, é preciso reler todos os planejamentos, compará-los e retomar conteúdos através de cursos, pesquisas com colegas ou na internet. De qualquer maneira, é necessário estar preparado para poder contribuir com sugestões de encaminhamentos.
Revisar e adequar o planejamento de formação dos professores. Nesta época, em geral, já temos um planejamento em mãos, feito no início do ano. Entretanto, é bom rever o que não foi alcançado no primeiro semestre e ajustar o projeto conforme as necessidades de aprendizagem e aperfeiçoamento dos professores.  É preciso ter um foco claro, definir o que precisa ser aprendido e quais estratégias formativas podem favorecer a reflexão e o impacto na prática pedagógica dos professores. O melhor a fazer sempre será refletir sobre aquilo que está acontecendo na prática da sala de aula, ler sobre o assunto, discutir encaminhamentos, combinar de levar a teoria para a prática e retomar a discussão com base em filmagens. A tematização da prática é o que, de fato, permite ao professor um olhar mais refinado nas didáticas de cada eixo.
Recomeçar bem o ano letivo pode fazer toda diferença para um semestre de muitas conquistas para cada professor e cada criança. Os primeiros passos para isso são oplanejamento e o profissionalismo do coordenador pedagógico.Atendimentos individuais. A essa altura, o coordenador já sabe quais professores precisam de mais ajuda e é por eles que o agendamento de reuniões deve começar. Em geral, é muito difícil conseguir um horário para fazer orientação individual, portanto, é preciso privilegiar os que mais têm dificuldade. A ideia desse encontro é ajudar o docente, discutindo a gestão de sala de aula e os encaminhamentos pontuais com algumas crianças.

terça-feira, 22 de julho de 2014


Quarta poética: a troca literária com a comunidade escolar.

A Quarta Poética é momento de mostrar a forma de brincar com as palavras da linguagem poética. (Foto: arquivo pessoal)
A Quarta Poética é o momento de mostrar a forma de brincar com as palavras da linguagem poética. (Foto: arquivo pessoal)
Uma das mais belas riquezas que compartilhei durante minha vida de educadora e gestora foram os encontros entre alunos e professores para trocar versos e poesias. Nesses momentos, o objetivo é mostrar e ensinar às crianças a bela forma de brincar com as palavras, a linguagem poética, a estrutura textual e a apropriação dos históricos de cada poeta.
Aqui em Itapetininga, o Momento da Poesia foi implantado na rede municipal de ensino por Maura Barbosa, na época diretora do Departamento Pedagógico. Hoje, alguns anos depois, essa atividade passou a ser chamada de Quarta Poética na minha escola e se tornou um dos carros-chefes da troca literária na comunidade.
Como o próprio nome indica, esse momento acontece às quartas-feiras, logo nas primeiras horas de aula. As datas dos encontros, programados nas reuniões de planejamento do início e do meio do ano, ficam expostas no quadro de avisos na entrada da escola para que pais e visitantes possam tomar conhecimento e comparecer. Para garantir a participação de todas as crianças, fazemos um revezamento das turmas ao longo do ano – a cada semana, são duas.
Na semana que antecede cada Quarta Poética, os professores expõem no mural o autor que trabalharão e as poesias escolhidas para que todos possam se preparar. Já vi familiares e visitantes lendo as poesias quando deixam ou buscam as crianças. É muito legal! O material é selecionado de acordo com o conteúdo que está sendo trabalhado em sala de aula e para que todos os alunos e a comunidade enriqueçam os repertórios literários.
No dia do evento, as duas turmas preparam o espaço do refeitório para recepcionar o público. Os professores dão início à atividade com um breve histórico do autor e das obras.  Após isso, eles recitam duas poesias daquelas expostas no mural, dando ênfase à estrutura do texto. Entre as rimas e os versos, as crianças tecem comentários com base em seus conhecimentos poéticos. No final da apresentação, elas avaliam o encontro, dizendo se gostaram e se já conheciam o texto, e trocam as poesias impressas, que são colocados na pasta de leitura, ao lado dos demais trabalhos do ano letivo.