segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ensino Fundamental 2


O desafio de escrever cada vez melhor

Especialista em memórias literárias analisa produção da aluna Nathalya Cristina Trevisanutto e indica como superar as dificuldades que aparecem na versão inicial

Nathalya Cristina Trevisanutto foi uma das vencedoras da Olimpíada de Língua Portuguesa em 2012. Até chegar à versão final do texto Cores, Aromas e Sabores de Infância, ela precisou reescrevê-lo diversas vezes. As mudanças ocorreram à medida que a professora Vanicléia de Oliveira Sousa Rebelo propôs atividades de leitura e escrita para que a turma do 8º ano da CEEFM Doutor Duílio ampliassem seus conhecimentos sobre o gênero memórias literárias.
Mariana Luz Pessoa de Barros, professora do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, e pesquisadora dos temas autobiografia, memória, tempo e literatura, analisa a primeira versão produzida por Nathalya e indica quais atividades podem ser propostas para que os alunos tenham cada vez mais desenvoltura em relação a linguagem literária, foco narrativo, seleção e ordenação das informações e padrões da escrita.
Clique nos trechos realçados para ver os principais problemas que aparecem no texto inicial. Em seguida, leia o texto vencedor e veja como esses problemas foram superados.
1ª produção
Eu e meus sobrinhos brincávamos de baixo da seringueira fazíamos bola de borracha e ao entardecer ficávamos olhando os carros passarem na rodovia. As crianças também trabalhavam no café, ajudavam a moer o café, a juntar de noite e a limpar o tronco do café, parecia um serviço fácil, mas era muito perigoso porque tinha vários bichos perigoso debaixo do café como aranhas, escorpiões, etc.
A escola daquele tempo era no sitio e era de madeira, só existia uma sala e era dividido em duas partes por uma cortina, eram dois quadros, eram duas carteiras juntas, a professora que fazia a comida e dois alunos dia lavava a louça. No recreio as crianças brincavam de pé-na-lata, pique-esconde, pega-pega, ciranda, Terezinha de Jesus, etc. Eram os alunos que lavavam a escola uma vez por mês.
A primeira televisão que eu vi era do dono do sitio e o pessoal ia assistir o "Jornal Nacional" e a novela "Direito de Nascer". Quando a televisão chegou na minha casa, foi uma festa, só meu irmão mais velho podia ligar a TV.
O chuveiro era de lata, e a água era armazenadas em potes, e ferro de passar roupa era de brasa, e a gente só bebia refrigerante no Natal.
As festas de São João, quando eu morava no sitio, tinham sete fogueiras uma em cada casa do sitio, o cheiro das delicias de São João exalavam por todas as casas, em um momento da festa o pessoal se reunia para rezar o terço e depois se deliciavam com os pratos típicos de São João.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tecnologia Educacional

Videogame eleva em 14% as habilidades dos profissionais na empresa

03/10/2013 - Redação - Especialista em RH, Eline Kullock, explica que os jogos estimulam a criatividade e a capacidade de tomar decisões

Quando os videogames surgiram no mercado, a única função deles era a distração dos seus jogadores, que não raro passavam horas a fio com os olhos ligados na televisão. No entanto, à medida que esses consoles evoluíram, passaram a exigir mais do raciocínio humano e aumentar a interação com o jogador. O estímulo dessas habilidades não se limita ao momento em que a pessoa joga o videogame, mas para toda a sua vida, refletindo, inclusive, nas práticas cotidianas no âmbito pessoal e profissional.

É o que aponta uma pesquisa realizada pela Universidade de Denver, no Colorado, que avaliou 65 estudos e dados de 6.400 estagiários e viu que o nível de conhecimento baseado nas habilidades dos profissionais que jogavam videogames aumentou 14% em relação aos que não tinham essa prática. O nível de conhecimento factual foi 11% superior e o de retenção 9%.

Esses jogos para smartphones, consoles portáteis, e videogames complexos podem ser uma ótima ferramenta para recrutamento e seleção de candidatos para vagas nas empresas brasileiras. De acordo com a especialista em RH e Geração Y e presidente do Grupo Foco, Eline Kullock, os games são uma rica fonte de estímulo para a criatividade e inovação dos profissionais, já que nos jogos é preciso raciocinar estrategicamente para passar de fases e acumular pontos. "Os jogos ajudam os profissionais a aumentar a capacidade de tomar decisões rapidamente. As corporações estão exigindo cada vez mais essa agilidade, em especial aquelas que trabalham sobre pressão", afirma a consultora.

Segundo Eline, tanto os videogames portáteis como os tradicionais vão além da diversão e influenciam diretamente no comportamento dos colaboradores. "Quando você joga, desenvolve a organização de ações que precisa realizar para conquistar seus objetivos, além de elaborar facilmente as estratégias e a visão sobre a melhor maneira de resolver uma situação-problema", explica a profissional. Os videogames permitem explorar, pensar e verificar as possibilidades que as diversas situações e cenários colocam à frente do jogador, o que pode ser um ponto a ser considerado na hora da seleção de profissionais.

A administração do tempo e produtividade também são desenvolvidas nos jogos, diz Eline. "Como nos jogos estratégicos, os jogadores precisam cumprir todas as suas tarefas no menor tempo possível e, no cotidiano organizacional caberá ao profissional, também, sequenciar as tarefas a serem cumpridas para economizar tempo e render mais no seu expediente", conta.

Tentativa e erro

No entanto, Eline Kullock explica que o método de tentativa e erro adotado nos jogos é comumente usado no cotidiano profissional. “A Geração Y, que é o maior público jogador, tem o costume de achar que em todas as situações, inclusive nas empresas, é possível dar um restart em alguma atividade que não tenha saído da forma como o esperado”. Para a especialista, existe um risco de que esses profissionais passem a acreditar, mesmo que superficialmente, que na vida a experiência de erro pode não trazer consequências graves por que a solução seria simplesmente “recomeçar”.
Gestão Educacional
Cyberbullying: Como evitar o constrangimento cibernético?
03/10/2013 - Mais de uma vez, as relações mediadas pela Internet mereceram minha atenção nesta newsletter. A realidade, porém, mostra que o tema ainda requer estudo e debate.

A AVG Technologies, fabricante de softwares de segurança para computadores e dispositivos móveis, divulgou há alguns dias uma pesquisa sobre interação digital que coletou informações com 500 brasileiros.

Pelo menos 30% deles relataram já ter sofrido algum tipo de cyberbullying no ambiente de trabalho. Isso quer dizer que já viveram algum tipo de constrangimento por conta de conteúdo divulgado no meio virtual.

As calúnias, difamações, injúrias e outras mensagens destinadas a manchar reputações circulam por e-mails, mídias sociais e sistemas de comunicação instantânea.

Muitos dos profissionais ouvidos (54%) consideram que as empresas são responsáveis pelo comportamento de seus colaboradores no horário de expediente.

No total, 25% dos entrevistados afirmam que as mídias sociais prejudicam a privacidade no ambiente de trabalho. Para 70%, representa constrangimento a recusa de pedidos de amizades de colegas do ambiente profissional.

Vale, portanto, reproduzir algumas dicas de ouro para os gestores que pretendem aprimorar o uso das ferramentas de comunicação digital no ambiente de trabalho.

1. Proibir o acesso aos canais digitais constitui-se em grave erro, conforme comprovam pesquisas realizadas em grandes empresas nos EUA e na Europa. Hoje, muitas pessoas fazem das ferramentas cibernéticas substitutas eficientes do telefone. Por ali, o colaborador pode descobrir se a esposa está se recuperando bem da gripe ou se a revisão do veículo já foi concluída. Utilizada de forma racional, a Internet pode abreviar o tempo perdido com problemas do mundo exterior. Pode também eliminar a ansiedade resultante do desconhecimento acerca de um assunto relevante. Nada mais natural que verificar, ainda no horário de trabalho, se já liberaram a avenida depois daquela passeata de estudantes.

2. As empresas precisam se valer de um trabalho educativo permanente para garantir o uso apropriado desses dispositivos de comunicação. Acordos funcionam. Acredite. Pode-se combinar, por exemplo, que os bate-papos sobre futebol estão liberados no horário do almoço e após o expediente. Nas pausas do horário convencional, pode-se admitir, por exemplo, o contato com um médico ou um despachante.

3. Um código de ética interno ajuda a determinar o que as pessoas podem divulgar acerca de seus colegas. Com certeza, é importante que virtudes e expertises sejam propagandeadas. É natural, por exemplo, que o gerente de logística converse com clientes sobre as competências de seu colega do marketing. A maledicência, no entanto, é sempre danosa para os profissionais e para a organização.

4. Nas redes sociais, existem perfis profissionais-institucionais. Neste caso, devem reproduzir as opiniões da empresa sobre os temas em foco, de forma clara e objetiva. Normalmente, a idéia é oferecer atenção especializada sobre algum assunto de interesse de clientes e outros stakeholders.

5. Em perfis pessoais, convém que os colaboradores se abstenham de emitir comentários sobre temas particulares das organizações. Referências a superiores e outros colegas de trabalho devem se pautar pela discrição e pelo bom senso.

6. Nada pior que o policiamento nas redes sociais. Líderes de equipes de trabalho jamais devem monitorar opiniões de comandados acerca de assuntos distintos da atividade profissional. Se o Francisco é um bom colaborador, ético, respeitoso e produtivo, não há razão para vasculhar suas preferências no campo religioso, clubístico, político e afetivo.

7. Os profissionais devem ter cuidado ao enviar solicitações de amizade nas redes sociais. Nem sempre a moça da Contabilidade, tão gentil nas tratativas internas, tem disposição para compartilhar seu espaço no Facebook. Ela pode desejar privacidade neste território e reservá-lo a suas interações com pessoas interessadas em cosmética, alimentação saudável ou dança clássica. Antes de enviar qualquer solicitação, verifique o grau de intimidade com o colega e certifique-se de que suas afinidades justificam a amizade virtual.

Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.

Equipe de Professores

Passo a passo da tematização da prática

Confira 11 passos necessários para conduzir um bom processo de tematização da prática.


Antes de tudo, é preciso entender o que significa tematização da prática: tematizar é olhar para algo e tratá-lo como um objeto de reflexão, levantando teorias a seu respeito - é por isso que, por vezes, é chamada de teorização. E por que "da prática"? Porque ela consiste em analisar as atividades didáticas da sala de aula para estudar as teorias que ajudarão os docentes a perceber as intervenções necessárias ao ensino dos conteúdos. Com isso, os professores veem que prática e teoria estão interrelacionadas - uma ligação pouco explorada nos cursos de Pedagogia e nas licenciaturas.
Confira abaixo o passo a passo para você, coordenador pedagógico, realizar tematizações eficientes nos momentos de formação dos professores.
Ilustrações: Olavo Costa
1. Identificação das necessidades
Os momentos de formação e observação de sala servem para descobrir o que é preciso tematizar. Você pode encontrar, por exemplo, baixo desempenho nas avaliações de História e urgência de atualização dos professores dessa área. Leve em conta as competências que eles já têm e as que precisam desenvolver - mais as necessidades de aprendizagem dos alunos. A equipe pode sugerir atividades para a análise.

Ilustrações: Olavo Costa
2. Pesquisa de referências
A tematização, para ser bem feita e colaborar para que o grupo avance, requer um estudo em profundidade. Não basta apenas observar a prática e falar sobre ela sem o devido conhecimento teórico. Cabe ao coordenador levantar a bibliografia a respeito do tema que será abordado nos encontros pedagógicos, reservar momentos para estudá-la e selecionar alguns textos para compartilhar com a equipe.

Ilustrações: Olavo Costa
3. Definição do material de análise
A tematização pode ser feita com vídeos produzidos para programas de formação, captados em aulas de outros professores, e com material gravado na própria escola. Os primeiros são os melhores para introduzir a prática da tematização, enquanto se constrói a relação de confiança entre a coordenação pedagógica e a equipe docente. Depois, o ideal é fazer gravações internas, que ajudarão a solucionar as dúvidas do grupo.

Ilustrações: Olavo Costa
4. Planejamento em equipe
Quando a gravação é feita internamente, é fundamental elaborar a aula a ser documentada com os professores e corresponsabilizar-se pelo desenvolvimento da atividade. O planejamento pode ser feito tanto com a equipe como individualmente, com o docente que será filmado. Esse cuidado ajuda o grupo a perceber que a intenção da tematização é que todos avancem - e não apontar erros.

Ilustrações: Olavo Costa
5. Escolha do equipamento
A filmagem é o recurso mais eficiente por permitir que o grupo lance olhares múltiplos sobre um mesmo objeto e faça análises coletivas. Contudo, as escolas que não têm filmadora podem usar captações em áudio como base das discussões durante a formação. Nesse caso, a coordenação deve acompanhar a gravação para anotar as reações dos alunos, os materiais manipulados e o contexto da atividade.

Ilustrações: Olavo Costa
6. Manuseio da filmadora
O coordenador é quem melhor conhece os aspectos da aula que devem ser gravados - as intervenções do professor, as perguntas dos alunos e a interação da turma com o conteúdo. Portanto, é o mais indicado para operar o equipamento. Esqueça a contratação de profissionais que trabalham com eventos e festas: eles não têm informações para se ater aos pontos que realmente são relevantes à discussão.

Ilustrações: Olavo Costa
7. Seleção de atividades paralelas
Ao introduzir a prática de tematização, é interessante envolver mais professores. Para isso, enquanto em uma classe são captadas imagens, nas demais pode-se fazer a gravação em áudio da mesma atividade. Peça que o professor transcreva a fita e entregue também o planejamento e um relato reflexivo sobre a aula. Todo o material deve ser levado à reunião pedagógica para que seja feita a comparação de diferentes contextos.

Ilustrações: Olavo Costa
8. Análise conjunta
Depois da filmagem, reúna-se com o professor cuja atuação foi filmada para assistir ao vídeo antes de mostrá-lo à equipe. Planejem a tematização, discutindo pontos que serão debatidos e selecionando trechos indispensáveis. Esse é um cuidado importante, que demonstra o respeito pelo docente. Aproveite para observar o que esse professor já percebe sobre a atividade e que ele mesmo pode abordar no encontro coletivo.

Ilustrações: Olavo Costa
9. Escolha do foco
Assista ao vídeo sozinho para selecionar as imagens significativas para a tematização e decidir qual o melhor material teórico para você e a equipe consultarem e estudarem na próxima etapa. Essa bibliografia complementará aquela que você levantou inicialmente e é com a ajuda dela que você poderá decidir as intervenções que fará durante a formação - visando sempre promover a reflexão conjunta.

Ilustrações: Olavo Costa
10. Estudo das teorias
Estimule novas aprendizagens. Exemplo: em uma atividade de alfabetização, se a criança escreveu KAIZTA, no lugar de CAMISETA, pergunte por que isso ocorre. Ouvidas as hipóteses, recorra à teoria, explicando que o aluno está na fase silábico-alfabética e atribui uma letra a cada sílaba ou representa unidades sonoras menores. As análises partem de atividades específicas, mas são aplicáveis a outros contextos.

Ilustrações: Olavo Costa
11. Continuidade do processo
Sozinha, a tematização não dá conta de ajudar os docentes a avançar e de melhorar a qualidade do ensino oferecido na escola. Por isso, é fundamental que essa estratégia esteja sempre inserida em um contexto de formação continuada coletiva, de modo a permitir que os professores sigam estudando e aprofundando conhecimentos e você possa avaliar permanentemente os impactos na prática docente.
Os erros mais comuns
Evite estes equívocos:

- Julgar atitudes Não existe o "certo" e o "errado", mas ações coerentes ou não com os objetivos a que o professor se propõe.

- Usar apenas vídeos produzidos fora da escola O material captado especificamente para cursos de formação nem sempre atende às necessidades de sua escola. Por isso, é importante ouvir a equipe com frequência e prever a gravação das atividades em que os professores tenham dúvidas.

- Filmar aulas ineficientes Se o professor tem dificuldade de controlar a turma, por exemplo, a tematização não é produtiva e pode se tornar uma espécie de julgamento.

Coordenador

Como elaborar boas pautas para as reuniões pedagógicas

Uma pauta estruturada ajuda a planejar o tempo e é uma aprendizagem para o coordenador.


Conduzir os encontros de formação de professores é uma das atividades que mais aparecem na rotina do coordenador pedagógico. Mas como garantir que eles de fato contribuam para melhorar a prática da equipe? O segredo para fazer reuniões cada vez mais eficientes é planejá-las com cuidado, prevendo todos os momentos - inclusive os de intervenção dos participantes. E a melhor maneira de fazer isso é elaborando uma boa pauta, que nada mais é do que um roteiro no qual devem constar os objetivos, os conteúdos que serão tratados, as estratégias propostas e os materiais necessários. 

Poucas pessoas dão importância a essa preparação. Porém formalizar em um documento esses itens tem vários propósitos. Primeiramente, a pauta evidencia a atuação do coordenador pedagógico na formação continuada docente. O arquivo desses registros é imprescindível na construção da memória coletiva da instituição e certamente vai servir de referência para os próximos formadores que ali vierem a atuar e também para outras escolas da rede. Dessa forma, o trabalho dos profissionais mais experientes vai auxiliando na formação dos iniciantes. 

Além disso, o planejamento contribui para a melhor utilização do tempo dedicado à formação. Imagine, por exemplo, deixar uma reunião inconclusa por haver conteúdos demais para o tempo previsto ou ter de interrompê-la para fazer cópias de um material que deverá ser consultado. Tudo isso se resolve ao detalhar o passo a passo do encontro. 

A pauta tem um papel ainda mais significativo. "Redigi-la é um momento de aprendizagem para o próprio coordenador", afirma Débora Rana, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 na categoria Gestor. As pautas elaboradas por Ana Iracema Scherer, coordenadora pedagógica da EMEF Presidente Nilo Peçanha, em Novo Hamburgo, a 42 quilômetros de Porto Alegre, não entravam em grandes detalhes até dois anos atrás. Ao começar a colocar no papel a descrição de cada etapa, ela passou a buscar mais referências teóricas, analisar o encadeamento da reunião com o objetivo da formação, estimar com mais precisão a duração das atividades e prever os passos seguintes com base nos conhecimentos que queria construir com a equipe. Isso contribuiu para o melhor trabalho dos docentes, como é o caso de Dóris Dettenborn, professora do 2º ano(leia os depoimentos nas imagens). 

Esse processo reflexivo continua inclusive na execução da pauta, momento no qual são incorporados os acontecimentos e as observações que alteram o documento inicial. A análise comparativa da reunião prevista e da efetivamente realizada dá pistas sobre se as estratégias formativas foram bem exploradas e ajuda na preparação dos próximos encontros.

Aparecida e Flávia. Foto: Marcio Vasconcelos          Ana e Dóris. Foto: Tamires Koop
"Eu dava pouca atenção aos objetivos da
reunião e geralmente definia a pauta com
base apenas nas demandas dos professores.
Agora, todos os encontros têm um
encadeamento e as atividades trazem
metas claras de aprendizagem."

Ana Iracema Scherer (à dir.), coordenadora
pedagógica da EMEF Presidente Nilo Peçanha,
em Novo Hamburgo (RS)

"Antes estudávamos coletivamente referências
teóricas, porém não sabíamos como usá-las.
Hoje, as intervenções feitas pela Ana sempre
remetem a situações que vivenciamos
em sala de aula."

Dóris Dettenborn, professora do 2º ano
da EMEF Presidente Nilo Peçanha
"Passei a conduzir melhor as conversas,
direcionando as perguntas aos professores
para a reflexão sobre os principais
problemas didáticos apresentados. Não
perdemos mais o foco."

Aparecida Batalha (à esq.), coordenadora
pedagógica da EM Tomé Torres Fernandes,
em Arari (MA)

"Ao analisarmos as pautas dos coordenadores,
eu e a supervisora Janaína fazemos perguntas
e sugestões para que eles avaliem se as
estratégias formativas estão atingindo
os objetivos da reunião."

Flávia Silva, supervisora da Secretaria de
Educação de Arari (MA)

Diretor

As responsabilidades do diretor

Entenda o papel do líder da escola, encarregado de orquestrar a administração da instituição, o fazer pedagógico e a relação com a comunidade

Escola organizada e limpa, equipamentos funcionando, contas em dia, funcionários em ação, comunidade participativa - e, acima de tudo, alunos aprendendo. Esse é o cenário ideal para uma instituição de ensino. Não se chega a ele sem muito trabalho e sem a presença de um diretor à sua frente. Ele deve ser um profissional que, na definição clássica do pesquisador Antônio Carlos Gomes da Costa, conjuga três perfis básicos:
  • Administrador escolar: mantém a escola dentro das normas do sistema educacional, segue portarias e instruções, é exigente no cumprimento de prazos;
  • Supervisor pedagógico: valoriza a qualidade do ensino, o projeto pedagógico, a supervisão e a orientação pedagógica e cria oportunidades de capacitação docente;
  • Líder sociocomunitário: preocupa-se com a gestão democrática e com a participação da comunidade, está sempre rodeado de pais, alunos e lideranças do bairro, abre a escola nos finais de semana e permite trânsito livre em sua sala.
Não é uma tarefa fácil. O diretor precisa ter conhecimento e sensibilidade para lidar com os diversos aspectos que interferem no bom funcionamento da escola que dirige: do domínio das questões financeiras e legais à comunicação com pais, do relacionamento entre os funcionários à gestão da infraestrutura do local. A lista abaixo dá uma ideia da complexidade de sua atuação:

As principais funções do diretor
  • Cuidar das finanças da escola;
  • Prestar contas à comunidade;• Conhecer a legislação e as normas da Secretaria de Educação para reivindicar ações junto a esse órgão;
  • Identificar as necessidades da instituição e buscar soluções junto às comunidades interna e externa e à Secretaria de Educação;
  • Prezar pelo bom relacionamento entre os membros da equipe escolar, garantindo um ambiente agradável;
  • Manter a escola esteja limpa e organizada;
  • Garantir a integridade física da escola, tanto na manutenção dos ambientes quanto dos objetos e equipamentos;
  • Conduzir a elaboração do projeto político-pedagógico, o PPP, mobilizando toda a comunidade escolar nesse trabalho e garantindo que o processo seja democrático até o fim;
  • Acompanhar o cotidiano da sala de aula e o avanço na aprendizagem dos alunos;
  • Ser parceiro do coordenador pedagógico na gestão da aprendizagem dos alunos;
  • Incentivar e apoiar a implantação de projetos e iniciativas inovadoras, provendo o material e o espaço necessário para seu desenvolvimento;
  • Gerenciar e articular o trabalho de professores, coordenadores, orientadores e funcionários;
  • Manter a comunicação com os pais e atendê-los quando necessário.
Todo esse trabalho, no entanto, não pode ser solitário. O diretor, como líder da escola, deve envolver sua equipe de professores, coordenadores, orientadores e funcionários no planejamento e execução das tarefas. Além de garantir uma gestão transparente e democrática, saber delegar é fundamental para dar conta do trabalho.
Essa articulação e parceria entre todos os profissionais deve sempre visar à meta principal de toda e qualquer escola: a aprendizagem dos alunos. Afinal, é função primordial do gestor prezar pela qualidade do fazer pedagógico da instituição que dirige, não sendo apenas um provedor e organizador de recursos.


Ensino Fundamental 2

> Educação Física

> Esportes e Jogos

Vamos jogar flag football, badminton e beisebol

Leve para a escola esportes que os alunos não conhecem ou só viram na televisão e na internet. As novidades ampliam o repertório deles e renovam a dinâmica das aulas

Você já se questionou por quê, em muitas escolas - quem sabe até na qual você leciona -, o futebol, o handebol, o basquete e o vôlei dominam a cena das aulas de Educação Física sem deixar espaço para outros jogos coletivos? A supremacia do que é chamado ironicamente de "quarteto fantástico" por alguns educadores é determinada pela história da disciplina, por um modo sedimentado de trabalhar (resultado de pensamentos como "se sempre foi assim, por que mudar?"), pelo espaço que alguns desses esportes ocupam na mídia e também pela popularidade no Brasil. 

Se fora do ambiente escolar existem outras modalidades, mesmo que elas sejam desconhecidas da moçada, Marcos Garcia Neira, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), defende que elas não só podem como devem ser apresentadas, estudadas e vivenciadas na escola. 

Isso não quer dizer abrir mão do que é considerado tradicional, mas ampliar o repertório dos estudantes, fazendo com que eles reconheçam a existência de diversos grupos culturais criadores de seus próprios esportes, danças, ginásticas, lutas, jogos e brincadeiras. "Em uma escola comprometida com a formação de identidades democráticas, é preciso ter contato também com outras práticas que não somente aquelas determinadas por uma classe social específica", diz Neira. 

Como fazer isso? Nada de esperar a época das Olimpíadas ou outro momento especial. É claro que esses acontecimentos são excelentes disparadores para trabalhar o tema. Apesar disso, um bom planejamento, sustentado por muita pesquisa, é suficiente para proporcionar aos alunos algumas novidades durante as horas na quadra. Eles, inclusive, podem levar para a aula algumas informações. Foi exatamente isso o que aconteceu no Colégio São Luís, na capital paulista. O fato provocou mudanças na dinâmica das aulas, dando espaço ao beisebol, ao badminton e aoflag football (leia informações sobre eles nas fotos da reportagem). "Sempre trabalhamos os esportes ditos clássicos, mas os estudantes passaram a perguntar e a assistir a outros esportes e isso fez com que eu repensasse o conteúdo a ser trabalhado nas aulas", conta Fabio Oliani, coordenador e professor do 7º ano.

Flag Football. Foto: Fernanda Preto
Flag Football É uma variação do futebol americano, mas com menos contato físico entre os jogadores. São formados dois times, com quatro a nove integrantes, cada um. O objetivo é fazer o maior número de pontos. Os jogadores prendem duas fitas(flags) na cintura com velcro. Quem está com a bola tem de fazê-la chegar até o fim do campo adversário com passes entre os colegas e correr para marcar gols, impedindo que os oponentes peguem uma das flags. Se isso ocorrer, a jogada é interrompida.