segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cinco perguntas sobre a Copa do Mundo

Saiba com o que diretores e coordenadores devem se preocupar ao levar o tema para dentro da escola.


A Copa do Mundo começa no dia 12 de junho e o país inteiro está falando sobre esse assunto. Em casa, no trabalho e nas ruas, é comum escutar conversas sobre as nações que participarão do campeonato, os jogadores que reforçarão as seleções e as mudanças sociais e econômicas que o megaevento está gerando.
Diante de algo tão presente em nossa sociedade, será que a escola pode aproveitar o contexto para construir situações didáticas significativas? Muitos diretores e coordenadores estão refletindo sobre isso. Abaixo, selecionamos cinco dúvidas dos gestores e buscamos especialistas para respondê-las. Confira.

É possível deixar a Copa do Mundo fora da escola?
Não. Esse é um acontecimento de proporção internacional e, neste ano, está ainda mais próximo dos brasileiros por ser realizado no Brasil. As crianças e os adolescentes, expostos às notícias sobre o campeonato o tempo todo, comentam sobre os times e os jogos. Por isso, é muito difícil a escola desconsiderar o assunto completamente. Mas é importante refletir sobre a maneira como o tema será abordado. Em alguns locais, pode fazer sentido apenas tratar de maneira informal. E em outros ele pode ser articulado aos conteúdos. “O maior problema é forçar a barra e transformar a escola durante o evento, enchendo o espaço de bandeirinhas, por exemplo. A instituição deve continuar tratando dos seus objetivos de ensino e se manter dentro do currículo”, diz Débora Rana, formadora do Instituto Avisa Lá e coordenadora pedagógica da Escola Projeto Vida, em São Paulo.

O assunto precisa ser trabalhado o ano inteiro?
Não. A Copa do Mundo é um evento restrito a um período de tempo. Por isso, deve ser tratada como atividade ocasional. “Esse assunto tem começo, meio e fim neste semestre. Depois das férias, se o Brasil ganhou ou perdeu, o tema já se desgastou”, diz Dayse Gonçalves, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 e orientadora pedagógica de Educação Infantil da escola Carlitos, em São Paulo.

Que cuidados o diretor deve tomar?
Antes de tudo, ele deve garantir que a escola não pare por causa do evento. Segundo Maura Barbosa, consultora de GESTÃO ESCOLAR, é papel dele cuidar que todos os dias letivos previstos por lei aconteçam normalmente. “O diretor não deve fazer da Copa do Mundo um evento na escola e paralisar o cotidiano da instituição”, diz. Apesar de não deixar que o campeonato domine a escola, o gestor também não pode ignorá-lo. Ele pode conversar com a equipe gestora e com os docente sobre o que pretendem fazer e por quê. “Junto com o coordenador e com os professores, o diretor pode elaborar, por exemplo, murais de informação com curiosidades sobre os jogadores que as crianças mais conhecem, quais são as capitais que sediarão os jogos, quais são os países que participarão, etc.”, diz Maura.

Quais devem ser as principais preocupações do coordenador pedagógico?
Ele precisa ajudar os professores a planejar atividades que contribuam com o processo de aprendizagem. “O coordenador deve perguntar para os docentes se eles pretendem levar essa temática para a sala de aula e como. Talvez alguns professores nem pensem em tocar no assunto e outros abordem de maneira informal”, diz Dayse. O papel do coordenador, portanto, é discutir a intencionalidade das ações propostas em sala. “O planejamento precisa ser feito para garantir que as atividades tenham sentido, se relacionem com os conteúdos curriculares e colaborem para que os alunos ampliem seus conhecimentos”, acrescenta Maura.

De que forma a temática Copa do Mundo pode entrar na sala de aula?
Essa resposta depende da faixa etária dos alunos e dos conteúdos que estão previstos no planejamento de cada turma. “O maior desafio é incluir o assunto no currículo e descobrir de que maneira essa temática se relaciona às diferentes disciplinas”, lembra Dayse. Se um professor estiver trabalhando o gênero notícia, por exemplo, pode desenvolver um projeto de leitura que convide os alunos a acompanhar os acontecimentos ligados ao campeonato. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Como utilizar exemplos de atitudes machistas para ajudar na construção da identidade das meninas?

A Marcha das vadias, realizada desde 2011 em várias cidades do mundo, é um bom exemplo de como a apropriação de um termo preconceituoso pode ajudar a combater a discriminação. (Foto: Marcha das Vadias, Porto Alegre, 2013 – Crédito: Ricardo Frantz – CC)
Recentemente, num encontro com adolescentes, uma garota me contou que seu namorado pedia para que ela abandonasse o colégio por estar com ciúmes de suas amizades na escola.
O que fazer diante de uma situação tão absurda como essa?
Não consegui, num primeiro momento, disfarçar minha indignação e tristeza ao ouvir uma coisa dessas em pleno século 21. Mas aí me dei conta do meu papel como educadora, respirei fundo e resolvi contar para eles um pouco da história da mulher, o quanto lutamos por nossos direitos de estudar, de desenvolver uma carreira profissional, de conquistar nossa autonomia econômica e pessoal, de fazer sexo com quem e quando bem entendemos, e assim por diante.
Ao falar sobre essas questões não pude deixar de usar o termo feminismo. E foi aí que percebi o quanto a percepção dos alunos a esse respeito é incompleta e, muitas vezes, até equivocada. Então, procurei contextualizar um pouco a luta pela emancipação feminina e, consequentemente, o surgimento do movimento feminista.
O feminismo  surgiu como um movimento político em 1848 na convenção dos direitos da mulher em Nova York com o objetivo  de conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres. A partir daí, o movimento foi ganhando os contornos de uma luta política permanente, com diferentes correntes teóricas que buscam combater a desigualdade entre gêneros, mostrando que ela foi construída de acordo com os interesses sociais e econômicos de cada sociedade.
Depois deste breve parênteses, voltei ao problema trazido pela garota contando um pouco da minha experiência familiar para mostrar para a turma que os direitos que temos hoje não eram levados em conta até bem pouco tempo, como no caso de minha mãe, Lenita.
Mesmo sendo uma mulher muito estudiosa, ela foi impedida de realizar seu sonho profissional – ser médica – porque, em Maceió, onde ela morava, ainda não havia faculdade de medicina. Para poder estudar, ela teria que ir para Salvador, e isso nem pensar! Uma moça de família só podia sair de casa se fosse para casar!
Estudar, formar-se, ganhar dinheiro e fazer escolhas era coisa de homem. Mulher tinha que ser dependente, submissa, inocente, e confiar no homem acima de qualquer coisa.
Mas, e hoje, as coisas ainda funcionam dessa forma?
A resposta é, definitivamente, não!
A garota pode decidir sobre o que é melhor para sua vida e realizar seus sonhos. O mundo mudou bastante e a nossa realidade é outra, muito distante daquela que D. Lenita viveu.
Mas, quando a questão é amor e sexo,  o comportamento de algumas meninas parece, muitas vezes, ter parado no tempo. Por conta de uma intricada sobreposição de valores familiares, sociais e culturais, algumas  delas ainda podem achar que devem  ser submissas aos desejos do namorado.
Como a garota havia me questionado em público, pedi permissão para trabalhar sua pergunta com o grupo. Ela concordou e, em seguida, perguntei à turma se eles conheciam outros casos de relação a dois que exemplificassem atitudes submissas da garota e de poder do garoto? E qual era a opinião deles a respeito.
O debate foi lindo! Uma série de comportamentos vieram à tona e fomos questionando até que ponto cada uma das atitudes era motivada por machismo, medo ou insegurança por parte dos meninos e meninas.
Este conhecimento sobre a evolução dos costumes nas diferentes sociedades, a luta pela emancipação feminina, suas conquistas e os direitos e deveres de todos nós como cidadãos é muito importante para desmistificar crenças que muitas vezes estão na raiz dos problemas que levam à violência, à submissão e inclusive à dificuldade de negociação entre o casal de pontos relevantes para o seu bem-estar e saúde, como, por exemplo, a decisão sobre o uso da camisinha.
A sala de aula é um ambiente importante para a formação das identidades de gênero dos alunos. É imprescindível abordar temáticas como essa para que os alunos compreendam, reflitam e analisem dentro do seu grupo social a origem de certas condutas e como elas influenciam suas decisões de vida.
E você, como encaminharia uma questão como essa?
Nós, educadores, temos a oportunidade de estimular a reflexão dos jovens para construção de uma sociedade com menos preconceitos e discriminação. Para isso, é preciso acreditar que um olhar crítico e reflexivo sobre as questões do cotidiano pode ajudar a mudar a realidade de nossos alunos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cinco aspectos positivos do Marco Civil da Internet

Militantes comemoram a aprovação do Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)
Militantes comemoram a aprovação do Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)
No dia 25 de março, foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados o texto final do Marco Civil da Internet. A tramitação do projeto, realizada em regime de urgência depois das denúncias de espionagem do governo brasileiro pela NSA, agência de segurança nacional norte-americana, causou polêmica nas redes sociais: enquanto uns promoviam campanhas de apoio, outros alegavam ser o Marco Civil uma tentativa de “censurar” a rede. Mas afinal de contas, qual é o impacto dessa nova lei para os usuários da web?
Para entender a importância da aprovação do Marco Civil, é preciso antes compreender que o Brasil não possui até o momento nenhuma norma capaz de legislar sobre os conflitos surgidos na rede. Além disso, o avanço da tecnologia e a disseminação de serviços ligados à internet móvel faz com que seja necessário garantir a proteção ao usuário, seja destacando seus direitos na hora de comprar esses serviços ou assegurando sua privacidade.
Portanto, o Marco Civil nada mais é do que uma espécie de “Constituição da web”. Ou seja: um conjunto de leis e regras sobre o uso da internet no Brasil. Dentre os inúmeros aspectos de destaque presentes no texto aprovado pela Câmara, vale comentar alguns itens em especial.
1) A neutralidade da rede
Um aspecto interessante do projeto é garantir a neutralidade na rede. Isso quer dizer que, partindo desse princípio, os provedores de internet não podem mais ofertar conexões diferenciadas para o usuário de acordo com o valor pago. Empresas de telefonia, por exemplo, passam a ser impedidas de oferecer pacotes de serviços menos caros que permitem o acesso somente aos e-mails ou às redes sociais.
2) Retirada de conteúdo
Quem deve ser responsabilizado pela publicação de determinado conteúdo na rede: o internauta ou o site? Atualmente, não existem regras específicas para fazer essa avaliação e, no caso de publicações ofensivas que foram parar no judiciário, as decisões a respeito de quem era o culpado variaram de juiz para juiz, responsabilizando ora os sites, ora os usuários. A indicação do Marco Civil propõe que o internauta seja responsabilizado pela publicação, ficando a empresa impedida de excluir comentários e conteúdos sem uma ordem judicial que faça essa exigência. Tal medida é importante porque garante a liberdade de expressão na rede e impede o que muitos especialistas chamam de “censura privada”.
3) Fim da publicidade dirigida
Você já percebeu que a publicidade sugerida em sites como o Google e o Facebook tem tudo a ver com o conteúdo das suas mensagens ou com o seu histórico de pesquisa? O chamado “marketing dirigido” é fruto também da falta de legislação na rede, pois permite que algumas empresas usem o conteúdo das suas informações para fins comerciais. O Marco Civil impedirá que isso aconteça, transformando tal prática em crime.
4) Sigilo e privacidade
A partir de agora, os provedores de acesso à internet são obrigados a guardar tanto os registros das horas de acesso quanto do fim da conexão dos usuários pelo prazo de seis meses. Mas isso deverá ser feito em ambiente controlado, e a responsabilidade por esse controle não pode ser delegada a outras empresas. O objetivo desse item é garantir que os internautas não tenham sua privacidade violada ou utilizada para fins que não tenham sido designados contratualmente ou comunicados ao usuário.
5) Incentivo à educação
Um aspecto importante do texto é o registro de que, no Brasil, o papel da internet será, sobretudo, democratizar o acesso à cultura e à educação e promover o exercício dacidadania e dos direitos humanos. Apesar de ser uma diretriz teórica, o registro dessa característica na forma da Lei garante a existência de um parâmetro para decidir, em eventuais conflitos, quais devem ser as prioridades do uso da rede no país.
Apesar de sua aprovação na Câmara, a tramitação ainda não terminou. Para tornar-se lei, o texto do Marco Civil ainda precisa aguardar a aprovação do Senado e a sanção da presidente. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Por que alfabetizar com nome próprio?

A importância de trabalhar com o nome para dar início às reflexões sobre o sistema de escrita na Educação Infantil

Maria. João. Antônio. Cecília. Fernanda. Imagine se não tivéssemos um nome. No meio de milhões de outras pessoas, como seríamos diferenciados? A importância dessa palavra levou muitos linguistas e antropólogos a acreditar que a escrita foi fonetizada por causa dos nomes próprios, uma vez que os pictogramas não davam conta de codificá-los e registrar a diversidade de indivíduos. Atualmente, é difícil conceber uma sociedade que não utiliza o nome próprio para registrar a diferença – e, por conseguinte, a identidade – de cada membro.
Diante disso, como pensar, então, numa forma mais significativa para dar início à alfabetização escolar?
Foram as descobertas sobre a origem e o desenvolvimento da escrita, conhecidos como psicogênese (leia mais sobre a Psicogênese da Língua Escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, abaixo), que evidenciaram os processos de aprendizado das crianças e questionaram os métodos tradicionais de alfabetização, baseados na cópia de famílias silábicas. Com base nos estudos da pesquisadora argentina, a criança se tornou protagonista da própria aprendizagem. Desafiada pelas atividades e pelas intervenções do professor, a criança investiga, testa ideias, repensa, corrige. Aos poucos, se apropria do sistema de escrita.
Na etapa inicial de alfabetização, o papel do professor é ampliar, de maneira significativa, a inserção das crianças no universo da escrita, com o qual elas já têm contato por meio de, por exemplo, cartazes que veem na rua, da televisão e das listas de compras que seus pais fazem. “Não podemos dizer que se inicia o trabalho com nomes na Educação Infantil, mas que se dá continuidade a esse processo de alfabetização, que já estava acontecendo no ambiente familiar, de forma mais intencional e sistemática”, explica Andréa Luize, coordenadora do Núcleo de Práticas de Linguagem da Escola da Vila, em São Paulo. E nada melhor que uma palavra estável – não importa onde a criança veja seu nome, ele sempre estará escrito do mesmo jeito – para começar esse trabalho.
As crianças, aliás, intuem a importância do nome mesmo sem saber escrever. A psicolinguista Ana Teberosky, no livro Psicopedagogia da Linguagem Escrita, destaca a precoce tendência infantil a marcar suas produções, ainda que em forma de garatuja. Quando chegam à escola, essas crianças passam a dividir o espaço com muitos outros pequenos. Por isso, percebem que o nome delas adquire muito sentido quando identificam seus objetos pessoais, como mochilas e lancheiras. “Socialmente, a escrita do nome ganha relevância”, diz Andréa Luize.

Do nome próprio à compreensão do sistema alfabético de escrita

Na realidade da sala de aula, como utilizar essa palavra cheia de sentido? Beatriz Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá e professora da pós-graduação em Alfabetização do Instituto Superior Vera Cruz, diz que o trabalho com os nomes próprios deve ter objetivos de aprendizagem diferentes, de acordo com a faixa etária dos alunos. “Nas turmas de 2 e 3 anos, por exemplo, a preocupação é fazer com que a criança reflita sobre as marcações dos pertences e sobre a sua identidade”, explica. Assim, ela se enxerga como um ser distinto dos outros que a rodeiam.
Já nas turmas de 4 e 5 anos, o nome passa a ser um contexto para a reflexão sobre o próprio sistema de escrita. À medida que vão se apropriando do sistema e percebendo suas regularidades, como quantidade e disposição das letras e combinação dos sons, os pequenos passam a utilizar esses conhecimentos adquiridos para descobrir e escrever novas palavras. “O nome próprio será um referencial importantíssimo para a leitura e escrita de outros textos e é o professor que propõe às crianças recorrer a essas fontes de informação para que resolvam um problema”, diz Diana Grunfeld, especialista em didática da alfabetização e membro da equipe de coordenação da Rede Latino-americana de Alfabetização.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Oralidade: um eixo da Educação Infantil

A escola tem um papel fundamental na aquisição da linguagem. O professor sempre deve incentivar os pequenos a participarem de situações comunicativas. Foto: Gabriela Portilho
A escola tem um papel fundamental na aquisição da linguagem. O professor sempre deve incentivar os pequenos a participarem de situações comunicativas. Foto: Gabriela Portilho
No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), a oralidade aparece no eixo de Linguagem Oral e Escrita. No entanto, devido a sua importância e especificidades dos conteúdos de aprendizagem, prefiro sempre abordá-la como um eixo em si.
Sabemos que se expressar oralmente com clareza e autonomia está diretamente ligado às vivências do indivíduo e às oportunidades de participar ativamente como interlocutor, ouvinte e protagonista em diversas situações comunicativas. Isso porque a comunicação oral permeia o nosso dia a dia em diferentes práticas sociais: conversas, apresentações, explicações, entrevistas e debates, entre outros. Poderíamos, ainda, aumentar essa lista se partíssemos para a esfera da Arte, com a música, o teatro e a poesia.
Portanto, falar bem é uma condição da cidadania e a Educação Infantil pode trazer muitas coisas para a aprendizagem dos pequenos.
Conteúdos e objetivos de aprendizagem
Na creche, com pequenos de 0 a 3 anos, é notável a importância de conversar com os bebês e com as crianças de 1, 2 e 3 anos. Nessa etapa, a escola tem um papel fundamental na aquisição da linguagem. Por isso, as diversas situações da rotina, como brincadeiras, alimentação, troca de fralda, banho, roda de leitura e de música, são oportunidades de aprendizagem, visto que o professor fala, acolhe, convida e sugere aos pequenos que participem de situações comunicativas. Ele também deve ajudá-las a se expressar sem utilizar falas infantilizadas. Ler histórias de qualidade, ensinar músicas, parlendas e brincadeiras orais são atividades privilegiadas nessa faixa etária. 
Nas turmas de 4 e 5 anos, as possibilidades de projetos e sequências envolvendo os conteúdos de aprendizagem do eixo de oralidade ganham outra perspectiva. Como as crianças já falam, sabem comunicar seus desejos e argumentar, é hora de investir no aprimoramento das capacidades comunicativas. São bem-vindos os projetos que envolvem a memorização de poesias ou parlendas para apresentação, as brincadeiras com fórmulas de escolha (“Lá em cima do piano…”) e de bater as mãos, como “O Trem maluco” e “Adoletá”. Exposições orais para outros colegas da classe sobre temas pesquisados nos projetos de Natureza e Sociedade também são um bom motivo para envolver as crianças em situações de comunicação oral. Veja aqui um quadro de expectativas de aprendizagem que elaboramos como fruto de uma formação nesse eixo.
Para essas duas faixas etárias, o que eu considero indispensável de fazer diariamente e em todas as turmas é a roda de conversa. Mas esse assunto fica para o texto da semana que vem!
E vocês, coordenadores, como tratam a oralidade no planejamento das atividades dos pequenos da Educação Infantil?
Antes de me despedir, quero deixar meus parabéns para a revista Gestão Escolar, que completa 5 anos este mês! Durante esse tempo, recorri aos seus conteúdos inúmeras vezes, principalmente para pesquisar projetos de formação que pudessem ser incluídos nos meus planejamentos. Que maravilha será, se cada vez mais, os gestores de todo o Brasil utilizarem os diferentes materiais que são trazidos pela publicação. A Educação só tem a ganhar!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Corpo humano e saúde precisam receber mais atenção na EJA

Alunos do Centro Educacional Sesc Ler assistem a documentário. Foto: Marcio Vieira
Alunos do Centro Educacional Sesc Ler assistem a documentário
Após trabalhar alguns anos como professor de Ciências da EJA, posso dizer com tranquilidade: saúde é um dos temas que mais interessam aos alunos desse segmento.
Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) indiquem que o tema deve ser trabalhado de forma transversal - em todas as séries e por todas as disciplinas do Ensino Fundamental -, em muitas escolas o assunto fica restrito às aulas de Ciências da Natureza. Observo que isso ocorre na EJA, mas também no ensino regular.
Por isso, acho importante repensar o tempo que destinamos a esse assunto em nossos currículos. Geralmente, o currículo da EJA é adaptado do ensino regular, que tradicionalmente aborda os conteúdos relacionados à saúde somente no 8º ano, com o foco no funcionamento do corpo humano, e não nas questões de saúde. Os livros didáticos de Ciências, por exemplo, são muito detalhistas ao tratar da anatomia do sistema digestório. Porém, nenhum deles trata de gastrite, que é uma doença relativamente comum.
Em minhas aulas, por causa das perguntas dos alunos, temas ligados à saúde foram ocupando cada vez mais espaço no planejamento. Por um lado, porque os alunos querem saber mais sobre doenças e cuidados individuais; por outro, também percebi falhas no entendimento que eles possuem sobre o conceito de saúde.
No início, imaginei que precisaria eliminar das aulas de Ciências todo o conteúdo relacionado à anatomia. Porém, percebi que fazia mais sentido contextualizar o assunto em torno de um problema real. Então, em vez de me restringir à anatomia (“Vejam, este é o estômago, ele tem tal estrutura e tal função”), partimos de uma questão próxima dos alunos. Nesse caso, digo a eles: “Vejam, esta pessoa tem gastrite e o médico a proibiu de tomar suco de limão. Qual a lógica por trás dessa recomendação?”. Para responder a questão, o aluno precisa compreender o funcionamento do estômago e seu papel na digestão dos alimentos, de forma que o conhecimento sobre anatomia vem como informação significativa para encontrar a solução do problema.
Além dessa abordagem ligada às doenças e aos cuidados com o corpo, adotei outra estratégia, pois percebi que meus alunos não viam conexões entre saúde e outros aspectos, como moradia, saneamento, renda e educação.
Acho que dessa maneira outras disciplinas também podem contribuir para um entendimento mais amplo sobre o tema. A ideia de vulnerabilidade, por exemplo, é muito interessante de ser explorada: uma pessoa que não tem acesso à água tratada corre mais riscos de contrair certos tipos de doenças. Portanto, o acesso à água tratada também é uma questão de saúde! Isso pode parecer óbvio, mas para muitos alunos não é.
Penso que esse tema pode ser trabalhado em todas as disciplinas, pois existem muitas possibilidades de analisar textos, dados, gráficos e mapas, tanto em escala nacional como local. Uma fonte importante é o Atlas do Desenvolvimento Humano 2013, desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que permite gerar tabelas e mapas até mesmo em escala municipal. É possível saber, por exemplo, que a mortalidade infantil em Tremedal, na Bahia, vem caindo desde 1991, mas ainda está acima da média nacional.
Outra pergunta possível: será que as pessoas que têm menos acesso à educação também têm menos acesso à saúde? Isso pode ajudá-los a refletir sobre os vários aspectos da vulnerabilidade social.
Com essa abordagem, ficamos mais próximos de apresentar a ideia de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), que entende a saúde como um estado de bem-estar físico, mental e social. Além disso, damos aos nossos alunos condições de se tornarem mais críticos e politicamente mais participativos.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A única coisa que o professor precisa saber sobre o Facebook

Esse título um tanto exagerado tem a ver com uma das dúvidas mais recorrentes que recebemos a respeito das redes sociais:
– Uso o Facebook para me comunicar com minha família e amigos. Recentemente, vários alunos têm pedido para eu adicioná-los. Não quero parecer antipática, mas gostaria de preservar minha privacidade. Existe alguma forma de eu aceitar estudantes como amigos, mas evitar que eles vejam posts de cunho mais pessoal?
A resposta (pode comemorar) é: sim, existe. Basta que você saiba o básico sobre criação de listas. Esse recurso torna possível que você exclua os alunos de determinadas postagens – ou mesmo que faça o contrário: publique coisas que apenas eles podem ver!
A gente indica o caminho das pedras desse recurso importante para educadores em um tutorial ilustrado em 7 passos.
Como criar listas no Facebook
1- Em sua página inicial, clique no campo “amigos”.
2- Clique em “criar lista”.

3- Na telinha que se abrirá, digite o nome da lista que você quer criar – no nosso exemplo, “Alunos 1º B”.
4- Hora de adicionar os integrantes da lista. Há duas possibilidades: digitando o nome de cada um deles no campo “membros” (na figura acima) ou, ainda, clicando em “amigos” e “adicionar à outra lista” – aí você escolhe a lista em que quer colocar a pessoa. ATENÇÃO: para esse passo funcionar, você precisa ter aceito a solicitação de amizade do aluno J.
5- Pronto para decidir quem pode ver suas postagens? Vamos lá: na página inicial, escreva o texto e clique no quadrinho “público”, que indica quem recebe a publicação. Selecione a opção “personalizado”.

6- Agora, você tem duas opções: se você quiser que seus alunos NÃO VEJAM o que você publicou, digite o nome da lista em “não compartilhar isso com”.
7- Mas… Se você quiser mandar essa mensagem APENAS para os alunos dessa lista, vá até “compartilhar isso com”. Selecionando “pessoas ou listas específicas”, digite o nome da lista que você pretende avisar.