quinta-feira, 13 de março de 2014

Cronograma de tarefas organiza a rotina na secretaria da escola

As secretarias Bruna e Jéssica auxiliam na tarefas burocráticas da escola. Criamos um cronograma para não nos perdermos no
As secretárias auxiliam nas tarefas burocráticas da escola de Sonia. Foi criado um cronograma para elas não se perderem no “mar de papéis”. Foto: Arquivo pessoal
Não sei o que seria da escola sem a Bruna e a Jéssica. São elas – nossas secretárias de escola – as corresponsáveis pelo bom andamento da nossa Emef. Bruna já está conosco há quase seis anos e a Jéssica, nossa estagiária, há um ano. É com elas que divido minhas“angústias burocráticas” – a responsabilidade por todos os sistemas online de que precisamos a os documentos a criar, receber e dar destino. Só assim consigo dar conta de minhas demais ações na escola.
Alguns anos atrás, participei de uma capacitação promovida pelo MEC na qual o ministrante enaltecia a secretaria como o coração da escola. É nesse espaço em que o calendário, a agenda e o tempo andam de mãos dadas para cumprir seu destino: planejar para organizar.
Bruna, Jéssica e eu nos encontramos todos os dias imersas nesse “mundo de papéis”, com suas resoluções, memorandos e ofícios, cada qual com suas especificidades. E foi pensando nessa situação que criamos um organograma que prevê datas para os diferentes afazeres e, assim, garantimos o bom funcionamento da escola. Esse norteador de trabalho muito nos tem ajudado. Compartilho com vocês a seguir:
  • Janeiro:
- Período de inscrição para transferências de escolas: após organizar as séries/anos e período, damos atendimento aos pais que desejam transferir seus filhos para outra unidade escolar ou vice-versa.
- Cadastro dos alunos: cadastramos alunos novos, promovidos e retidos no sistema da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), cuja base de dados tem informações sobre todos os alunos dos municípios paulistas. Nós a verificamos todos os dias para atualizar informações, fazer transferências ou pedir liberação para novas matrículas.
- Formação de classe: elaboramos o documento, que contém o nome dos alunos, data de nascimento, registro de matrícula (RM), registro do aluno (RA), nome do professor, período e indicadores se o aluno foi promovido ou retido na série/ano.
- Históricos escolares: no final do mês começamos a fazer os históricos escolares dos alunos dos 5º anos que ingressaram no Fundamental 2.
  • Fevereiro e março:
- Documentos do ano anterior: arquivamos os papéis enviados e ou recebidos na escola no ano letivo anterior.
- Arquivo morto: organizamos documentos que guardamos para futura consulta, como prontuário de alunos transferidos, cadernetas de chamadas, resoluções e até trechos destacados do Diário Oficial.
- Organização do Sistema de Gestão Integrada na Rede de Ensino (Gire): alimentamos essa base de dados municipal com informações administrativas da escola. O Gire é muito semelhante ao Sistema Prodesp, mas tem mais recursos, como emissão de boletim escolar, espaço para fotos de eventos da escola e registro de notas bimestrais dos alunos. Informar as notas é tarefa dos professores.
  • Abril e maio:
- Censo Escolar: nesse período, cadastramos os professores em suas respectivas classes e período no sistema Prodesp e atualizamos os cadastros de alunos.
- Consolidado: finalizamos esse documento. Criado pelas escolas da rede municipal de ensino de Itapetininga, ele aponta as notas e faltas bimestrais dos alunos. Professores preenchem e os pais assinam – é uma maneira de acompanhar o desempenho dos estudantes.
  • Setembro e outubro:
- Documentos para o próximo ano letivo: Solicitamos e preenchemos documentos como renovação de matrícula, inscrição de novos alunos, atualização de cadastro escolar e matrículas dos novos alunos.
  • Dezembro:
- Encerramento do ano letivo vigente: cadastramos todos os alunos nos sistemas Prodesp e Gire, apontando os que foram promovidos ou retidos na série/ano. Por fim, conferimos e organizamos os consolidados preenchidos pelos professores.
Temos também as rotinas mensais. Preenchemos e enviamos a cada mês todos os documentos solicitados pela Secretaria de Educação:
  • Dia 5: entregamos a solicitação de material escolar e de limpeza para o setor de almoxarifado.
  • Dia 10: enviamos o atestado de frequência (AF) de todos os funcionários da escola.
  • Final de cada mês: mandamos o mapa de merenda com os indicadores de estoque e consumo de alimentos.
  • Bimestralmente: levantamos as faltas de alunos que possuem Bolsa Família para preencher devidamente o formulário emitido pelo setor responsável.
E pensar que já fiz tudo isso sozinha! Dei conta? Na medida do possível, mas me peguei organizando essas datas para não prejudicar nem a mim e nem a escola.
Sei que nem todos os gestores possuem o “privilégio”, como muitos dizem, de ter essa figura tão importante dentro de seu espaço escolar. É o caso de alguns diretores aqui em Itapetininga (SP). Mas já nos encontramos na iminência de um concurso público para a contratação desses novos e tão aguardados secretários de escola. E quando tudo isso acontecer, vamos recepcioná-los de uma maneira muito carinhosa, dizendo: SEJAM TODOS MUITO BEM-VINDOS!

quarta-feira, 12 de março de 2014

Editor de imagens online

Colagem feita no Fotor com imagens da Wikipédia
Quer cortar uma imagem, aplicar um efeito especial, fazer uma colagem ou criar um mosaico de fotos (como este aí em cima) diretamente na internet? Pois aqui vão algumas dicas de editores de fotos online disponíveis para quem é iniciante ou já tem um pouco mais de esperteza no assunto.
Sites como o FotoFlexer, o Pixlr, o Fotor  e o próprio Photoshop oferecem uma série de ferramentas gratuitas para você deixar suas fotos mais interessantes ou criar uma imagem nova e original.
Em todos eles é possível usar as ferramentas de edição sem ter que se cadastrar, mas é preciso concluir o trabalho e salvar no computador antes de sair do site. Quando o usuário se cadastra de forma gratuita, é possível guardar os trabalhos para finalizá-los em outro momento e também compartilhar suas criações nas redes sociais.
Apenas o Photoshop não oferece a opção de outros idiomas além do inglês. Para facilitar sua experiência, nos outros sites, procure pelo botão Language no menu do aplicativo e escolha a opção Português do Brasil ou busque a bandeirinha do Brasil (no rodapé do FotoFlexer, por exemplo).
As funções básicas vão desde corrigir os olhos vermelhos de alguém, eliminar algum detalhe indesejável, mexer nas cores ou deixar preto e branco, até fazer um desenho ou inserir um texto sobre a imagem original. Além disso, a maioria também traz opções divertidas de molduras, apliques e efeitos para deixar seu trabalho mais personalizado e com aquele “tchans” que faltava. Mas tente não se empolgar com tantas opções e acabar exagerando na dose…
Confira no vídeo abaixo como foi feita a imagem que ilustra este post, utilizando o Fotor, um editor simples e versátil ao mesmo tempo. Mãos à obra!

terça-feira, 11 de março de 2014

Como elaborar provas que ajudam na aprendizagem

Uma reunião de formação vai ajudar os professores a elaborar exames cada vez mais eficientes para a avaliação dos alunos

Temida pelos alunos e questionada quanto aos resultados, a prova deixou de ser o único instrumento de avaliação usado pelo professor. Hoje, ele dispõe de outras ferramentas para verificar o conhecimento da turma. Contudo, isso não significa que a prova deva ser banida das salas de aula. Quando elaborada com precisão, pode ser uma ótima aliada para produzir um bom diagnóstico do que a turma aprendeu. O resultado de uma prova vai servir de parâmetro para que o professor aprimore seu planejamento e seu trabalho em sala de aula. Para que seja eficiente, porém, ela precisa ser preparada com cuidado e o coordenador pedagógico pode ajudar muito a equipe (veja os pontos que devem ser levados em consideração na elaboração de uma prova nos infográficos do último quadro).

"Apesar da necessidade de tornar a avaliação contínua e diversificada, a simples observação do professor nunca é suficientemente profunda e individualizada em uma classe com dezenas de estudantes. A avaliação por escrito, portanto, sempre terá sua importância", afirma Jussara Hoffmann, autora de livros sobre o tema e uma das críticas dos testes feitos apenas para atribuir um conceito aos alunos. Jussara propõe o uso de questões cujas respostas indiquem o que cada um aprendeu e, com isso, ajudem o professor a melhorar as aulas. Cabe ao gestor responsável pela formação permanente - em geral, o coordenador pedagógico - fazer reuniões para discutir os critérios de elaboração (leia mais no quadro abaixo).
Pauta da reuniãoOficina de prova
- Marque com os professores um encontro de formação para falar sobre os métodos de avaliação e o papel da prova escrita. Para que haja exemplos, peça ao grupo um exame elaborado com base no caderno de um aluno.
- Inicie falando sobre a importância de elaborar questões específicas para cada turma e baseadas nas práticas desenvolvidas em classe.
n Peça que os professores troquem entre si as provas e os materiais usados para elaboração.
- Os educadores devem ler os exames e analisar se entenderam o enunciado e se as questões coincidem em forma e conteúdo com as encontradas nos cadernos.
- Pergunte: as atividades são parecidas com as realizadas pelos alunos? As perguntas se justificam diante do que o professor quer saber? As questões estão claras? Há espaço para as respostas? As orientações estão adequadas?
- Cada educador devolve a prova ao colega que a elaborou com observações e sugestões de pontos a melhorar.
- Proponha a reformulação das provas atendendo às solicitações do colega.
- Por fim, peça que os participantes troquem novamente as produções e debatam se a nova versão resulta em um diagnóstico mais preciso do que os alunos aprenderam.

Consultoria: Priscila Monteiro, coordenadora da formação em Matemática da prefeitura de São Caetano do Sul, SP, e formadora do projeto Matemática É D+, da Fundação Victor Civita.
 Questões devem ter familiaridade com as atividades desenvolvidas nas aulas 
O principal problema destacado por especialistas é a falta de conexão entre as provas e o dia a dia da sala de aula. "As práticas pedagógicas estão mais diversificadas. Contudo, na hora de avaliar, os professores dão para o aluno uma folha com questões que não têm nenhuma relação com as atividades que ele está habituado a fazer", afirma Jussara.

O correto é tomar como base não apenas o conteúdo ensinado em sala mas também a forma como ele foi apresentado. Se uma turma trabalhou em duplas nas aulas e explorou as possibilidades de respostas de forma colaborativa, por exemplo, o mesmo método pode ser adotado no exame. "Não há motivo para fazer da prova uma surpresa para o grupo", afirma Beatriz Cortese, formadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), de São Paulo. Para ela, a melhor maneira de conferir se há a ligação entre o cotidiano da classe e as solicitações da prova é compará-la com as anotações nos cadernos.

Além de fazer a formação da equipe docente, debatendo as diversas estratégias possíveis para preparar uma boa prova, o coordendor pode avaliar uma cópia do exame antes de ele ser dado aos alunos, observando se as atividades conferem com o que foi ensinado. É interessante notar também a linguagem utilizada. O enunciado das perguntas explicita claramente o que os estudantes precisam fazer? Pegadinhas ou enigmas são inúteis, pois a equipe não terá condições de avaliar se o estudante não sabia o conteúdo ou se não entendeu o que foi pedido.

Lea Depresbiteris, doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo, destaca também a importância de entregar aos estudantes provas que não sejam muito fáceis nem difíceis demais. "O nível do desafio não deve ser nem tão alto que frustre o aluno, nem tão baixo que o torne desmotivado", explica. O ideal é que o exame não seja muito extenso porque a capacidade de concentração dos menores - principalmente nos primeiros anos do Ensino Fundamental - ainda está em desenvolvimento. "Aos 9 ou 10 anos, a criança costuma manter o interesse e a concentracão em uma só atividade por cerca de uma hora", afirma Lea. Para evitar o cansaço, oriente os professores a mesclar perguntas objetivas e dissertativas e a pedir que todos leiam as questões no início. Os mais ansiosos certamente começarão pelas mais simples, e os que se cansam rapidamente, por sua vez, poderão responder antes as mais complexas.
O olhar do coordenadorVeja o que você deve analisar nas provas elaboradas pelos professores. Compare-as com registros dos alunos e outros materiais para saber quais conteúdos foram estudados
Identificação
A prova deve ter um espaço adequado para a identificação do aluno e a nota do professor

Prova de Matemática Nome da escola:________________________________________
Nome do professor: ______________________________________
Nome do aluno: __________________________________________
Classe: _______
Data: ________ Conceito:______
Regras claras
As informações para a turma devem estar em destaque. O professor deve lê-las para que todos compreendam


Orientações para a realização da prova
Leia atentamente todas as questões da prova na frente e no verso da folha. Avalie quais são mais fáceis e quais são mais difíceis e decida por qual você quer começar.
Use lápis para o caso de você querer apagar. Se utilizar outra folha para rascunho, entregue-a para seu professor junto com a prova para ele considerar suas estratégias e não apenas o resultado.
Tempo
Nesta questão, há quatro problemas. Será que a prova não ficará muito longa? Peça ao professor que use a experiência das aulas para analisar se as crianças conseguirão manter a concentração.
Linguagem
Preste atenção nas palavras. Se o objetivo não é verificar o vocabulário, questione termos que possamser de compreensão difícil e comprometer o entendimento.

Objetivo
A pergunta corresponde ao que o professor realmente quer avaliar? Uma questão como esta pode gerar respostas pouco esclarecedoras, como "porque fiz a conta".

Espaço
Para evitar grande número de papéis e anexos, deve-se deixar espaço suficiente
entre as perguntas para rascunho e o desenvolvimento de raciocínios ou contas.
1) Resolva os problemas
- Um fazendeiro tinha 285 bois. Comprou mais 176 bois e depois vendeu 85 deles.
Quantos bois esse fazendeiro tem agora?

- Anália deve R$ 345,00 para Andréia e esta deve R$ 248,00 para Anália. Quem deve pagar a quem para que ambas as dívidas sejam saldadas? Quanto?

- Marcos, Laura e João repartem entre eles uma soma de dinheiro da seguinte maneira:
Marcos recebe o dobro de Laura. João recebe a mesma quantidade que Marcos e Laura juntos. João recebeu R$ 141,00. Que quantidade de dinheiro os três repartiram? Quanto Marcos e Laura receberam? Como você pode garantir que sua resposta está correta?

- Se eu tenho no banco R$ 6.754,00 e retiro todos os dias R$ 17,00, em quantos dias terei retirado todo o meu dinheiro?

__________________________________________________________
__________________________________________________________
__________________________________________________________

FamiliaridadeO aluno está habituado ao conteúdo e ao tipo de questão? Para resolver esta questão, ele precisa ter trabalhado com tabelas em sala, além de ter noções de conceitos bancários.
2) Virgínia acompanha diariamente, pelo computador, o movimento de sua conta bancária. Os depósitos feitos na sua conta são lançados como créditos e os pagamentos ou retiradas são lançados como débito. Na tabela a seguir estão os lançamentos feitos em quatro dias do mês de março. Todos os valores estão em reais.
Março Créditos Débitos
2            25             100
5            320          50
8            42             0
10         101           205 
O saldo inicial era zero. Qual é o saldo atual de Virgínia ao considerar esses lançamentos?
Além da resposta
A pergunta objetiva é acompanhada de outra, que pede que os alunos expliquem como pensaram - uma maneira de o professor saber o que eles já sabem para ensiná-los com base nisso.

3) Marque o número mais próximo do resultado para cada um dos cálculos abaixo e explique como você chegou a ele.
tabela

segunda-feira, 10 de março de 2014

Escola também é lugar de tecnologia

A professora Silvia Rinaldi e os estudantes do 8º ano do ensino fundamental do colégio Santa Amália, no bairro da Saúde, usando um game com dicas de alimentação. (Foto: Ricardo D'Angelo)
A professora Silvia Rinaldi e os estudantes do 8º ano do ensino fundamental do colégio Santa Amália, no bairro da Saúde, usando um game com dicas de alimentação. (Foto: Ricardo D’Angelo)
Há poucos dias, um aluno recém-chegado à universidade, mais especificamente em um curso da área de Ciências Humanas, me contou um caso bastante sintomático sobre a maneira como a tecnologia ainda é encarada na sala de aula.
Ele me descreveu sua primeira semana na faculdade, aquele momento em que somos apresentados aos professores e às disciplinas que iremos cursar ao longo do semestre. O primeiro impacto sentido por ele foi a maneira como a coordenadora do curso se apresentou, informando logo de cara à todos:
– Quero que saibam que não estou aqui para ser amiga de ninguém. Presto um serviço para a universidade e não confundo, nem gosto que confundam, o meu papel. Não gosto de brincadeiras e não sou muito de risadas. Espero que me procurem somente quando houver um assunto de muita importância. Estamos combinados?
Ainda impactado pela falta de humanidade da coordenadora, e suspeitando tratar-se de uma aula trote, esse rapaz logo foi confrontado por outro anacronismo.
Durante as aulas que se seguiram, ele me contou que cada professor apresentou em Power Point o que chamaram de contrato de sala (popularmente conhecido como regras ou combinados da turma). Todos os contratos estavam prontos e sacramentados somente por um dos envolvidos: o professor. Claro que não se considerou o significado da palavra contrato, isto é, trato entre pessoas. Caso contrário, ele teria sido construído com o envolvimento, ainda que parcial, de todas as partes.
Pois bem, nesses contratos, duas das professoras do curso se posicionaram radicalmente contra o uso de computadores, tablets e afins. Uma delas não se deu ao trabalho de argumentar. A outra apresentou a seguinte justificativa:
– Sou da velha guarda e não aceito computador ou outro equipamento similar nas minhas aulas. O aluno, quando escreve, presta mais atenção porque tem que ler o que escreveu. Além do mais, ele pode se distrair usando a internet durante a aula…
Ai! Haja paciência! É ou não é subestimar muito o ser humano aluno que está ali?
Esse exemplo de rejeição ao uso da tecnologia em sala de aula confirma a dificuldade de muitos profissionais em conceber que a educação não pode se voltar contra uma realidade global. Ao se declarar como sendo da “velha guarda”, a professora assume que não sabe lidar com as inovações trazidas pela contemporaneidade para o dia a dia do profissional da educação. A situação fica ainda mais comprometida quando justifica que escrevendo o aluno terá mais atenção. Ora, isso significa que digitar não exige a leitura? Então todos os textos que produzimos no computador não são relidos, corrigidos ou modificados?
O receio de que a internet seja mais atraente do que sua explanação demonstra ainda a ausência de um planejamento que inclua pesquisas na internet durante a aula. E, finalmente, acreditar que a proibição da tecnologia garantirá a atenção e envolvimento dos alunos é, no mínimo, uma ingenuidade do professor.
Há bem pouco tempo, no 26º Encontro Nacional de Professores do Proepre – Neurociências e Educação, tive a oportunidade de ouvir dois respeitáveis neurologistas que afirmaram em suas palestras a impossibilidade de a escola atual impedir ou inviabilizar o trabalho com as novas tecnologias. Demonstraram cientificamente que a evolução no córtex cerebral humano possibilita às novas gerações consideráveis avanços em suas habilidades quanto ao mundo virtual e que, portanto, a Educação deve usar isso a seu favor.
Sendo assim, nosso foco deve estar nas diferentes maneiras de se utilizar as novas tecnologias como ferramentas pedagógicas e não em combatê-las. Na próxima semana, nos contrapondo aos relatos que serviram de exemplos quanto à postura ineficiente do educador frente aos combinados e utilização da tecnologia, trarei práticas e posturas favoráveis à construção da autonomia de nossos alunos.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Quer que suas alunas se vacinem contra o HPV? Envolva pais e escola

Aluna recebe vacina contra HPV em escola do Distrito Federal - Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil - CC
Aluna recebe vacina contra HPV em escola do Distrito Federal – Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil – CC
No dia 10 de março, chega aos postos de saúde a vacina contra o HPV, o vírus que causa a maioria dos casos de câncer de colo de útero no mundo. A estratégia do governo é vacinar 80% das meninas entre 11 e 13 anos de idade do país. E, por isso, o Ministério da Saúde está incentivando as secretarias de saúde e educação a promover vacinações nas escolas.
Esta semana, uma professora de Maceió me perguntou como convencer as alunas a aderir à campanha de vacinação. Ela contou que sua escola está se preparando, mas as meninas não se animaram tanto. “Sou obrigada a tomar a vacina?”, uma perguntou. “Eu soube que dói e não quero tomar…”
Mobilizar as meninas sobre a importância de se vacinar será um dos grandes desafios das escolas em parceria com os postos de saúde. O Ministério da Saúde planeja distribuir oGuia Prático sobre HPV nas escolas, informando adolescentes, professores e pais sobre a importância da vacina. O governo iniciou em fevereiro uma capacitação a distância com profissionais de saúde e professores e também distribuiu um informe técnico aos estados e municípios.
Mas, na minha opinião, esse esforço pode não ser suficiente.  A contaminação pelo HPV está diretamente relacionada à atividade sexual das garotas. E muitos pais e professores não conseguem imaginá-las fazendo sexo aos 11, 12 anos. Algumas meninas e familiares podem ter um sentimento de negação.
É por isso que convido todos os professores a se engajarem nessa campanha. A causa é nobre e a vacinação contra o HPV, uma grande conquista para a saúde de nossas meninas.
Sugiro as seguintes atividades na escola:
- Sensibilize as meninasDê uma olhada em três recursos que podem ajudar escola e professor a expor às alunas a importância de vacinar. Escrevi aqui no blog um post sobre como trabalhar o tema com as alunas. Em outro post, falei sobre a vacina em si. E  o Guia Prático sobre HPV traz mais sugestões.
- Transforme a equipe escolar em formadora de opinião sobre o HPVConvide um professor para dar uma palestra sobre o HPV, a campanha e a importância da vacinação para a saúde da mulher. Se nenhum docente se sentir pronto, chame um médico, enfermeiro ou educador sexual – a secretaria de saúde da sua cidade pode ajudar com isso. Peça que todos os funcionários da escola participem, especialmente os professores. Dessa maneira, a equipe poderá sensibilizar pais e alunos.
- Faça dos pais aliadosUma das estratégias do Ministério da Saúde é recomendar que as escolas entreguem aos pais um termo de recusa. Alunas que não quiserem tomar a vacina devem trazer o papel assinado. Portanto, os familiares são fundamentais na adesão de suas filhas.
Chame os pais para participar de palestras, oficinas ou conversas com especialistas. Eles costumam ser leigos no assunto e precisam da atenção da escola para esclarecerem dúvidas e serem sensibilizados. Pode haver pais que achem a vacinação desnecessária – uma vez que não acreditam que suas filhas tenham relações sexuais. Alguns imaginam que a vacina incentiva as garotas a fazer sexo mais cedo. Outros familiares podem acreditar ingenuamente que as meninas nunca terão relações com parceiros infectados pelo vírus. E há quem tenha medo de que campanha force a uma conversa precoce sobre sexo com os adolescentes.
Sugiro uma oficina para engajar os pais na campanha. Veja como fazer:
1a etapaConvide os familiares a se sentarem, explique a razão do encontro e e apresente a campanha do Ministério da Saúde. Forneça informações sobre o HPV e a saúde das meninas. Em seguida, solicite que os pais formem duas fileiras, uma dos que são contra a vacinação e outra dos que são a favor.  Peça para que formem quartetos compostos por duas pessoas de cada fileira.
2a etapaSolicite que os pais contrários à vacinação expliquem seus motivos. Os pais a favor devem dizer como enxergam esses motivos, dando sugestões e argumentos para ajudar o outro grupo a compreender a importância do tema. A ideia é que os testemunhos ajudem os pais contrários a enxergar as vantagens da vacinação.
Os pais contrários devem contar aos favoráveis se foram convencidos a mudar de ideia e, em conjunto, todos podem pensar em ações para conversar com as meninas. Depois de concluir os trabalhos, os grupos apresentam o que concluíram.
3a etapaPara finalizar, você pode fazer um plano de trabalho com as atividades sugeridas pelos pais. Liste os nome dos pais que desejam se envolver na campanha, estabelecendo as respectivas atividades e prazo de realização.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Coordenador pedagógico também precisa de formação

Além de aumentar a oferta de formação continuada para os coordenadores pedagógicos, deve-se investir na qualidade dos conteúdos


Características do bom coordenador. Ilustração: Mario Kanno
Eles parecem não ter muita consciência disso, mas o quadro é de falta de preparo para o exercício da função. Metade dos entrevistados na pesquisa com coordenadores pedagógicos acredita que o ensino superior garantiu capacitação para o desempenho desse papel e 67% declaram já ter feito cursos de 40 horas ou mais oferecidos a quem ocupa esse posto. Isso, porém, não significa que eles estejam habilitados a cumprir suas tarefas. "Não existem programas que capacitem esse profissional a ser o formador de professores, o articulador do projeto político-pedagógico e o transformador da escola", afirma Vera Trevisan de Souza, docente pesquisadora do programa de pós-graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e integrante do grupo de pesquisa Processos de Constituição do Sujeito em Práticas Educativas. "Além disso, na maioria das redes, essa é uma função para a qual um professor experiente é deslocado, e não um cargo concursado, que exige um conjunto de competências."

A pergunta que fica é: afinal, por que falta capacitação se esse é o primeiro pré-requisito citado pelos próprios coordenadores para ter um bom desempenho profissional (veja o gráfico acima)? Ocorre que nem o curso de graduação (em geral, Pedagogia) nem a experiência docente (que a maioria tem) garantem um bom preparo. E, depois da estreia na função, quase não há oferta de formação. Para 64% dos pesquisados, a Secretaria de Educação deveria se responsabilizar por seu aperfeiçoamento, apesar de apenas 38% dizerem que esse cenário é a realidade. "É comum as Secretarias convocarem para as mesmas oficinas oferecidas aos docentes", diz Eliane Gorgueira Bruno, doutora em Psicologia da Educação, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

A formação em serviço não pode se limitar a cursos esporádicos. Ela só fica completa quando há a orientação presencial constante de um supervisor e permite a troca de experiência com os pares. Cybele Amado, coordenadora do Instituto Chapada de Educação e Pesquisa (Icep), responsável pela formação dos gestores escolares de 24 municípios da Chapada Diamantina, na Bahia, defende que o ideal é que, além de firmar parcerias com universidades e organizações não governamentais, as Secretarias de Educação tenham supervisores técnicos e cada um cuide de um grupo de coordenadores. Esse é um modo eficiente de identificar necessidades de conhecimento específicas e combiná-las aos saberes essenciais a todos que estão na função. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Todo dia é Dia do Brinquedo!

Professora fotografa seus alunos em momento de descontração com os brinquedos trazidos para a escola, na EMEI Guia Lopes. Foto: Marina Piedade
Na escola onde você trabalha, as crianças podem levar brinquedos todos os dias? Ou deve haver um dia específico para isso? E o celular, pode ou não pode? Acessar a internet, ouvir música… É adequado fazer isso durante as aulas?
Essas são algumas das perguntas que nos acompanham diariamente! Porém, nossas respostas nem sempre se baseiam em argumentos com embasamento científico e que sejam justos para as partes envolvidas, ou seja, que considerem de forma equilibrada os diferentes pontos de vista. Aliás, na maioria das vezes, nos pegamos usando a famosa frase “é regra da escola” como resposta negativa para o ingresso de “objetos estranhos” à aula. Pois bem! Esses temas, tão presentes em nossas vidas de educadores, serão tratados em uma série de posts que começa hoje!
Neste texto vamos falar especificamente sobre a prática do “Dia do Brinquedo”. Muitas escolas adotam um dia na semana, geralmente a sexta-feira, para liberar a entrada dos brinquedos (nas turmas da Educação Infantil). Nos meus encontros com educadores, quando abordo essa questão durante as formações, constato que é quase unanimidade limitar essa atividade para um dia específico. E é claro que pergunto: “Por quê? Qual seu argumento?”. Chega a ser divertido perceber as fisionomias… Como mineira que sou, traduzo os olhares dos educadores com nosso famoso: “Uai, porque sim!”.
Brincadeiras a parte, as justificativas apresentadas são sempre respostas vazias, sem fundamentação teórica. Geralmente a escola adota essa prática por entender que o brinquedo será um elemento complicador, gerador de conflitos. Portanto, “… deixemos para a sexta, porque sendo o último dia de aula da semana, teremos sábado e domingo para repormos as energias gastas nos transtornos que o Dia do Brinquedo causa”.
Outra justificativa recorrente é a preocupação de o brinquedo ser quebrado e o desgasteque o fato proporcionaria na relação com a família. Sabemos que nem sempre é agradável a forma como as famílias abordam a escola em situações como essa. Pensando de antemão no prejuízo material, há uma tendência de os pais ou responsáveis acusarem o professor de negligência. E quando isso acontece, é necessário que o professor tenha os argumentos necessários para enfatizar que os danos de um brinquedo quebrado são (ou deveriam ser) menos importantes do que os ricos momentos de socialização favorecidos pelo objeto. Há também o receio de a criança não prestar atenção suficiente nas atividades. Enfim, todos os argumentos se orientam para a antecipação e o impedimento do conflito, entendido, portanto, como algo negativo, que deve ser evitado.
Mas, se evitamos o conflito, como poderemos alcançar nosso objetivo de formar para a autonomia? O que precisa ser entendido é que, além do papel lúdico do brinquedo, também há nele uma carga afetiva: a criança deseja levar para a escola um “pouco de sua casa”, do seu “porto seguro”. Quanto ao receio de os brinquedos se tornarem causa de conflitos, sugiro que usemos dessas situações para um trabalho de construção da boa convivência.
Você pode perguntar: mas como, se os alunos disputam e choram por causa deles? Pensemos juntos…
A disputa pelo objeto, comum entre crianças pequenas, é explicada pelo estágio de desenvolvimento em que se encontram. Querer ficar o dia todo com seu brinquedo no colo é resultado do acentuado egocentrismo ainda presente nos pequenos. Até por volta de 6 ou 7 anos, elas são incapazes de reconhecer e coordenar outras perspectivas que não sejam suas próprias. E isso não quer dizer que sejam egoístas, mas que não possuem ainda “ferramentas psicológicas” suficientes para considerar os desejos e pontos de vistas das outras pessoas. Nesse caso, a mediação do adulto, promovendo momentos em que todos os envolvidos possam se colocar, dizendo o que desejam e como se sentem, é fundamental para um trabalho de construção da autonomia.
Paralelamente a isso, quanto ao momento adequado de liberar os brinquedos na aula, deve ser levado em conta o respeito às regras construídas pelo grupo (tratamos disso no post“Regras morais e convencionais: qual a diferenças?”). Estamos falando de um trabalho deregulação – e não de controle – da vontade e dos afetos. A autonomia é construída a partir desse exercício de autorregulação – eu desejo, mas não devo fazer tal coisa porque fere uma relação de respeito mútuo, ou seja, eu escolho fazer o certo porque assim me sinto melhor como pessoa.
É evidente que proibir ou limitar o brinquedo vindo de casa é bem menos trabalhoso para o educador e para a escola. Porém, são atitudes que não contribuem para o desenvolvimento da autonomia de nossos alunos. Podemos considerar ainda que o trabalho diário com os brinquedos causa menos expectativas (tanto para o aluno como para o professor) do que esperar aquele dia específico. Menos expectativa, menos ansiedade, portanto, menos probabilidade de confusão. Trata-se de habituar a criança ao momento do brinquedo, o que implica estimular trocas, empréstimos e zelo com o objeto. Enfim, ótimas oportunidades para o desenvolvimento moral dos pequenos.
Depois dessa reflexão, qual sua opinião? A escola deve ou não manter o Dia do Brinquedo? Comente, opine. Queremos sua companhia! Cumprimentos mineiros e até a próxima semana, quando falaremos detalhadamente sobre as tecnologias em sala de aula.