terça-feira, 10 de junho de 2014


Generosidade se aprende e se pratica na escola


Às vésperas do início da Copa do Mundo de Futebol em nosso país, paira no ar uma sensação de aliança verdadeira e visceral entre o povo brasileiro. Algo parecido com um sentimento de irmandade. Assistimos e vivemos situações durante os jogos da nossa seleção em que uma multidão de estranhos se une em afeto: sofremos e comemoramos juntos! Afinal, não há necessidade de conhecer a identidade de cada um. Basta o sentimento comum.
E é justamente nessa semana, em que nossa sensibilidade está à flor da pele, que trazemos para o blog uma campanha de conscientização sobre a Aids. Fora de contexto? Absolutamente não!
Pensando no nosso universo profissional e em nosso maior foco, o aluno, o que a escola, responsável direta pelo trabalho com o conhecimento, pode fazer de fato para combater e erradicar o preconceito em relação aos soropositivos?
Não há dúvidas de que o primeiro passo é garantir espaços permanentes de formação para os professores e demais profissionais da instituição. É por meio do conhecimento que são “derrubados” os mitos que assombram e comprometem os relacionamentos com pessoas contaminadas pelo vírus HIV. Há no grifo anterior a intenção de ressaltar que os espaços de formação sejam realmente permanentes, e não somente organizados pelos calendários de campanhas e datas em que surgem propostas de novos projetos a serem desenvolvidos pela escola. Por quê? Porque é na formação continuada, responsabilidade da equipe de coordenação/orientação pedagógica, que se constrói coletivamente uma proposta de trabalho. Proposta essa que garanta aos alunos qualidade não só em relação ao trabalho com o conhecimento, mas, e principalmente, a prática de valores e virtudes necessárias à convivência. Ou você acredita que somente ter o conhecimento de que não se “pega Aids fazendo trabalho em grupo com um soropositivo” é suficiente para que nossos alunos acolham generosamente aqueles que se sentem inferiores e rejeitados pela vida? Saber é indispensável, mas não suficiente para garantir atitudes generosas, justas e, enfim, morais.
O trabalho contra o preconceito de qualquer natureza implica também o exercício constante da generosidade. A definição de tal virtude difere da justiça porque, na explicação de Yves de La Taille (2006, p.10)“dá-se a outrem, não o que lhe cabe de direito, mas sim o que corresponde a uma necessidade singular”(*). Assim, não basta o professor somente garantir ao aluno soropositivo a sua inclusão e seu direito de trabalho em grupo. É mais do que isso. Trata-se de um esforço permanente que aguce o olhar de professores e alunos para o reconhecimento da generosidade em pequenas atitudes, como o empréstimo voluntário de um material ou a ajuda voluntária em uma tarefa. Muitas vezes, tais atitudes são impedidas pelo professor com a justificativa de que os alunos estão “atrapalhando a aula”. O que acaba, ainda que de maneira não intencional, passando a mensagem de que a ajuda voluntária não é importante, ao contrário, fere regras pré-estabelecidas, como a do silêncio, por exemplo. O trabalho com virtudes deve ultrapassar a postura discursiva e envolver os alunos em práticas com causas sociais. Conhecer, viver e se envolver com a realidade que nem sempre é “cor-de-rosa”. Portanto, a abordagem de questões que envolvam principalmente a visão humanitária deve estar viva no currículo da escola.
Estudos demonstram que a generosidade está presente no início da construção da moralidade. Ou seja: crianças bem pequenas já reconhecem esse valor e apresentam atitudes generosas. Ora, por que então no mundo de hoje atitudes generosas são consideradas como exceções nas relações? Uma das hipóteses que nos parece lógica é a de que como a escola e a família muitas vezes não reconhecem, não incentivam ou não valorizam tal virtude, ela se “enfraquece” e não se torna presente nas relações. Faz sentido? Pois então, é hora de invertermos essa lógica!
Espero que a comoção que sentimos com a execução do Hino Nacional no início de cada jogo da Copa do Mundo nos inspire para um trabalho que ajude nosso aluno a se comover ainda mais com a fragilidade e dor do outro. E que ao se comover, ele sinta a necessidade de ser generoso e que sua generosidade o faça sentir-se bem!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

       

        Como falar sobre Aids com as crianças


Nas próximas semanas, todos os blogs de Nova Escola e Gestão Escolar falarão sobre a prevenção da Aids. Esta iniciativa faz parte da campanha Atitude Abril, lançada em fevereiro para tratar do assunto em diversas publicações (saiba mais aqui). Coube ao Direto ao Ponto iniciar essa rodada de debate sobre o tema com professores e gestores.
Recentemente, durante uma capacitação sobre Educação sexual, uma professora me questionou sobre como falar com crianças sobre Aids, uma vez que seus alunos não têm ideia do que seja uma doença sexualmente transmissível (DST).
De fato, há certos termos e conteúdos que, dependendo da idade, da maturidade cognitiva e do interesse dos alunos, não faz sentido trabalhar com eles. Mas isso não quer dizer que a conversa sobre Aids deva ficar restrita ao trabalho com os adolescentes. A criança pode, desde cedo, incorporar conceitos e atitudes muito valiosos para fazer dela um jovem responsável e bem informado sexualmente.
Por isso, sugiro a seguir alguns conteúdos que podem ser trabalhados com os alunos da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
O que ensinar na Educação Infantil 
Desde a infância devemos fomentar comportamentos e atitudes de prevenção que serão aprendidos e aplicados na adolescência. Como esse período é um momento de exploração e conhecimento do próprio corpo, as conversas com a turminha podem ir nessa direção.
Converse sobre os conceitos de saúde e doença.
  • Ensine que elas têm um corpo e que ele precisa receber alguns cuidados, como boa alimentação, higiene e exercícios físicos, para se manter saudável.
  • Conte que muitas doenças são causadas por vírus e bactérias – “bichinhos invisíveis” muito atrevidos que conseguem entrar em nosso corpo. Pergunte que doenças eles conhecem e se a Aids não aparecer entre elas, cite-a para que eles tomem conhecimento de sua existência.
Fale sobre o contágio de doenças pelo sangue.
  • Nessa faixa etária (de 3 a 6 anos), não faz sentido falar sobre o HIV ou formas de contaminação da Aids, mas é muito importante conversar sobre a transmissão pelo sangue e o quanto é importante não tocar no machucado de um coleguinha que estiver sangrando. Encontrei um vídeo na internet muito interessante para trabalhar essa forma de transmissão e a prevenção do HIV com as crianças. (Veja aqui)
A relação de gênero também pode estar presente nessa conversa.
  • A partir dos 3 anos de idade, a criança começa a tomar consciência de que existe o sexo masculino e o feminino. Esse é um momento importante para introduzir no repertório das crianças condutas positivas para sua vida, que a ajudarão a lidar com sua sexualidade. É uma boa hora para desconstruir estereótipos como: homem não pode chorar e ter medo, ou a mulher deve ser obediente. Isso poderá ter um impacto positivo para o futuro das crianças, diminuindo sua exposição a situações de vulnerabilidade.
O que ensinar no Ensino Fundamental 1Este período abrange a faixa etária dos 7 aos 10 anos, fase em que a criança está ávida por informações e tem maior consciência e autonomia sobre o seu corpo.
É o momento ideal para introduzir as primeiras noções de prevenção.
  • Nessa idade, as crianças têm autonomia para desempenhar algumas tarefas sem precisar muito da ajuda de um adulto. É fundamental trabalhar com eles os cuidados de higiene para cada parte do corpo. Com isso, o professor estará ajudando o aluno a construir a noção de que seu bem-estar físico passa pelos cuidados com seu organismo.
Em um trabalho conjunto com a disciplina de Ciências, as crianças têm condições de aprender que existem vírus e bactérias causadores de doenças e que uma delas é a Aids.
  • O professor pode explicar para os alunos, de acordo com as expectativas de aprendizagem desses anos, o que é a Aids e o que o HIV faz no organismo. Os professores podem adaptar a história criada pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para ensinar a melhor forma de falar aos pacientes infantis sobre o vírus HIV/AIDS (veja aqui).
  • Para as crianças do 4o ano, essa abordagem pode ser mais direta e dinâmica, com perguntas que verifiquem o que eles sabem sobre Aids. É importante também que, dentro das possibilidades e do contexto adequado para isso, a camisinha seja apresentada para os alunos.  Quanto mais cedo a criança entra em contato com o preservativo, mais rápido ela estabelece intimidade com essa ferramenta imprescindível na prevenção da Aids e outras DSTs.
Também é o momento de mostrar aos pequenos a importância da solidariedade e de quebrar preconceitos.
  • Embora não seja muito comum as crianças saberem quem é ou não portador do HIV, é muito importante que eles entendam que essa pessoa não irá infectá-la, a não ser que se entre em contato com seu sangue. Portanto, eles devem aprender que está tudo bem em brincar e interagir com pessoas que tenham a doença e que não precisam tratá-las de forma diferente.
Existe, na sua escola, um programa para falar de Aids com as crianças? Conte sua experiência nos comentários. Tenho muito interesse em conhecer as experiências de professores e gestores nessa área.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

  

Como tirar o melhor proveito do fechamento de bimestre

Eduarda Diniz Mayrink analisa documento com professora da escola (Foto: Manuela Novais)
Eduarda Diniz Mayrink analisa documento com professora da escola (Foto: Manuela Novais)
Final de bimestre na escola é um tumulto. A rotina se volta para a aplicação e correção das avaliações, análise dos resultados obtidos pelas crianças e organização de reuniões de pais. Em meio a todas essas atividades, sempre surge a pergunta: como realizar o fechamento do bimestre de forma que os dados obtidos ajudem na melhoria do ensino e da aprendizagem?
Antes de tudo, é importante dizer que o bimestre precisa ser planejado. Assim, é possível antecipar quais serão os conteúdos trabalhados e as ações realizadas. Dessa maneira, quando o período está acabando, podemos rever essa reflexão original e comparar com o que de fato conseguimos fazer.
Levantamento de dados
Para começar o trabalho, organizo com os docentes a avaliação do desempenho dos alunos ao longo do bimestre utilizando alguns instrumentos, que servem de parâmetro para o levantamento de dados:
  • Planilha dos conteúdos abordados durante o bimestre (clique no link para acessar o modelo). Ela servirá de apoio na tabulação das avaliações aplicadas
  • Planilha de análise de produções dos alunos e da evolução da aprendizagem
  • Gráfico de rendimento dos alunos (clique no link para acessar o modelo). Ele é feito com as notas obtidas pelos alunos. Dessa forma, conseguimos montar um panorama geral da turma em cada disciplina
  • Diagnósticos realizados e tabulação dos resultados obtidos.
  • Registros de observação de determinadas atividades realizadas em sala, com o foco em um conteúdo definido. Para acompanhamento, é elaborada uma pauta de análise pré-estabelecida
  • Análise do planejamento de atividades realizadas em sala e do caderno dos alunos
  • Dados reais da turma (frequência dos alunos e do professor, cumprimento do calendário escolar, tempo didático destinado ao conteúdo de acordo com a rotina planejada e a rotina real aplicada em sala)
  • Combinados estabelecidos em reuniões de formação que deveriam ser cumpridos na rotina. Nas reuniões, ao estudarmos um determinado conteúdo, definimos de que forma poderiam ser aplicados de acordo com a necessidade de aprendizagem da turma. A partir disso, fazemos combinados de metas e ações
 Com tudo em mãos, eu e os professores analisamos as informações, procurando identificar como o processo de ensino impactou na aprendizagem das crianças e quais são suas principais dificuldades. Depois de compartilhar nossas análises, pensamos em planos de ação para qualificar nosso trabalho e melhorar o desempenho dos alunos.O que fazer com os dados?
Caso seja identificado que as estratégias de ensino utilizadas não foram bem sucedidas, por exemplo, eu preparo um plano de formação para o professor, para que as práticas sejam melhoradas. Entre as possibilidades estão estudar como determinado conteúdo pode ser trabalhado em sala, quais sequências de atividades devem entrar no planejamento e quais intervenções podem ser realizadas.
Paralelamente, não podemos deixar os responsáveis pelas crianças de fora dessa reflexão. Eles também precisam ficar cientes dos resultados e ser informados sobre quais serão as ações realizadas pela escola para melhorá-los. Para isso, marcamos uma reunião de pais logo após o fechamento.  No bimestre seguinte avalio o desenvolvimento das ações e levantamos novos dados.

quinta-feira, 5 de junho de 2014


A importância dos auxiliares de Educação

Foto: Arquivo pessoal
Também chamados de inspetores ou monitores, eles são essenciais para o bom andamento das atividades dentro e fora das salas de aula
Um aluno se machucou? O auxiliar de Educação é chamado para dar assistência e fazer o curativo seguindo as orientações recebidas no curso de primeiros socorros. Uma criança pequena precisa de ajuda no banheiro ou no bebedouro? Eles também ajudam. Um aluno faltou? Os auxiliares são os primeiros a notar. Se alguém chega com mais pressa ou mais aflito, também logo percebem.
Em alguns lugares, esses profissionais são chamados de inspetores ou monitores. O nome tanto faz… O fato é que eles são o nosso braço direito e também o esquerdo!
Quando iniciei minha carreira de educadora na rede municipal de Itapetininga, o professor tinha que dar conta da qualidade da aprendizagem e do atendimento, tudo sozinho. Tinha, por exemplo, que contar com a disponibilidade da servente ou da merendeira para entregar os alunos aos pais na hora da saída. Foi assim até o início da década de 90, quando aconteceu o primeiro concurso público para auxiliares de Educação em nossa cidade. Depois disso, eles chegaram e se tornaram essenciais.
São eles que complementam o trabalho do professor quando necessário colaborando com atividades dentro da sala de aula e fora dela. Oferecem assistência na hora de servir a merenda e no intervalo com propostas recreativas diversificadas, sempre com o cuidado de evitar acidentes e preparam as turmas para o retorno às aulas.
Em nossa escola, no final das aulas, os professores acompanham os alunos até a porta da classe e o auxiliar de Educação assume depois dali, levando a garotada para o portão da escola. Eles entregam os alunos aos pais e, quando necessário, transmitem recados. Também cuidam do bom funcionamento do transporte escolar na hora da entrada e da saída.
Como resultado de todas essas funções, os auxiliares desenvolvem uma relação muito próxima com os alunos e com os pais, tornando-se até confidentes de alguns. Então, quando precisamos saber um pouco mais sobre alguma criança é comum recorrermos ao conhecimento deles.
Semanalmente, um dos nossos auxiliares participa da nossa hora de trabalho coletivo e compartilha os principais temas da semana, discutindo dificuldades e soluções com os professores e gestores. Assim, conseguimos definir o que deve ser prioridade na agenda deles para os dias seguintes.
Aproveito, então, para agradecer a Daniela, a Ivone, a Juliana, a Tânia e o Robson, auxiliares de Educação da EMEF Professora Hilda Weiss Trench, e estendo meus cumprimentos a todos os demais profissionais dessa área. Eu tiro o meu chapéu para todos vocês!

quarta-feira, 4 de junho de 2014


Como criar um GIF animado

Tutorial ensina como fazer um GIF animado
Quer deixar suas aulas mais animadas? hehehe…
Veja nossa dica de como criar uma animação, utilizando um recurso digital bem simples: o GIF animado.
Se você nunca ouviu falar em “gif” ou “guif”, basta saber que ele é apenas mais um dos inúmeros formatos digitais de fotos e ilustrações existentes, assim como JPG (ou JPEG), PNG, EPS etc.
Esse tipo de arquivo, muito difundido entre usuários da internet hoje em dia, pode ser utilizado para apresentar a seus alunos conceitos básicos de animação nas aulas de Arte ou mesmo para ilustrar um conteúdo – de qualquer disciplina –, no qual o movimento ou mudança de imagens ajude a turma a compreender melhor o tema abordado. Veja alguns exemplos encontrados na internet:
Fotografias de Eadweard Muybridge exibidas em sequência no final do século XIX
Cavalo em Movimento – E. Muybridge, 1878
Como funciona um carro, infografia animada de Jake ONeil
Como funciona um carro – Jake ONeil, 2014
Como funciona?
O GIF animado armazena uma série de imagens em um único arquivo, exibindo-as em sequência, de forma automática e em loop (quer dizer, após exibir a última imagem, ele sempre retorna à primeira).
Portanto, para criar uma animação, a primeira coisa que devemos fazer é providenciar uma série de imagens com pequenas diferenças de posição, formato ou cor entre os elementos que compõem a cena. Para isso, podemos usar um programa de edição de imagens (Photoshop, Paint etc) para criar os desenhos ou usar várias fotos com a sequência de um movimento (de pessoas, objetos ou desenhos). Veja abaixo nosso exemplo:
Sequência de imagens para animação
Para animá-las, vamos usar o Gifmake, uma ferramenta online gratuita, mas existem muitos geradores de GIFs animados na web. É muito simples mesmo!
Basta fazer o upload (carregamento) de cada imagem ou arrastá-la, uma por vez, para dentro da área pontilhada indicada pelo site (como mostra a ilustração abaixo). Nessa ferramenta, existe um limite máximo de 10 imagens (ou 15, em uma versão mais “pesada” que você encontra no rodapé do site). Seus arquivos também não podem ultrapassar 1,5 Mb (tamanho em megabytes por foto).
Depois de inserir as imagens no Gifmake, clique no botão Generate Gif  para ver o resultado. Se quiser deixar a animação mais rápida ou mais lenta, basta ajustar a velocidade, deslizando o botão do cursor Delay (atraso), e clicar em Generate Gif novamente para conferir o ajuste. Quando estiver satisfeito, clique em Download GIF para salvar o arquivo no seu computador. Confira todos esses passos no esquema abaixo:
Como fazer um GIF animado no Gifmake
Depois de baixar o GIF, você pode incluir sua animação em apresentações de PowerPoint, usar em blogs ou mesmo vê-la isoladamente, abrindo o arquivo diretamente do seu computador em qualquer navegador como Chrome, FireFox, Explorer etc.
E aí, ficou animado(a)? Então, mãos à obra! Aproveite para conferir estas reportagens e planos de aula relacionados ao tema publicados por NOVA ESCOLA :

terça-feira, 3 de junho de 2014


Segurança sob medida: a escola não pode ser a geradora da violência



Durante as comemorações da semana da criança, uma escola municipal organizou algumas atividades diferenciadas e, dentre elas, a ida a um clube onde os alunos teriam inúmeros brinquedos montados especialmente para recebê-los: pula-pula, futebol de sabão, piscina de bolinhas, etc. Toda saída da escola deve ser formalmente autorizada pelas famílias e, para tanto, são encaminhados bilhetes que  devem ser lidos e assinados pelos responsáveis.
Nessa ocasião, justamente um daqueles alunos considerados dos mais “ardidos” chegou sem a autorização para a esperada tarde especial. O resultado foi: uma professora aliviada,principalmente porque se tratava de um aluno que ‘não merecia mesmo o passeio uma vez que havia dado muito trabalho durante a semana’, um aluno desesperado e em prantos e uma supervisora desorientada pelo choro do menino e pela cobrança das educadoras de que fosse cumprido o que havia sido previamente combinado a respeito desses casos…
A escola, com base em inúmeras discussões anteriores que envolveram todas as partes interessadas – família, alunos e educadores – havia firmado um acordo coletivo de que bilhetes sem assinatura implicariam a permanência do estudante na instituição. Houve a concordância por parte de todos de que, nesses casos, não seriam feitas ligações telefônicas na hora da saída para as atividades. A decisão foi tomada tanto por razões organizacionais da escola, quanto para estimular o exercício da responsabilidade por parte das famílias e dos alunos. Sendo assim, sem autorização, nada de saídas. A intenção era de que cada um cumprisse sua parte: escola envia bilhete, aluno mostra e entrega para a família, família autoriza (ou não) e devolve para a escola. Problema solucionado? Doce ilusão!
Diante da situação e depois de longos minutos testemunhando o desalento do garoto, a supervisora resolveu ligar para a mãe e pediu autorização para levá-lo ao passeio. Chegando ao clube com o menino atrasado, a supervisora recebida friamente por algumas educadoras que a olharam como traidora, entregou a criança e retornou para a escola. Foi então que a professora, pressionada por algumas colegas, decretou: “Você veio sem bilhete, então ficará sentado, assistindo às brincadeiras. Só assistindo, viu?”. E cumpriu-se o decreto.
Numa outra escola em que havia a regra de não permitir o uso de bonés, a direção foi procurada pela mãe de um garoto que passava por um tratamento de quimioterapia e, com a queda dos cabelos, além de todo o sofrimento com a doença, tinha vergonha de sua aparência. Sendo assim, a mãe pedia que o menino pudesse frequentar as aulas usando boné. A autorização foi dada. Porém, antecipando os prováveis conflitos que enfrentaria, a direção reuniu os alunos e declarou, em alto e bom tom: “Saibam que a regra do boné será mantida. Somente abrimos uma exceção para ele – referindo-se ao garoto de boné ao seu lado – porque trata-se de um caso especial”. E, assim, o aluno em sua já fragilizada condição, foi exposto publicamente.
É melhor prevenir do que remediar
Faço, então, duas perguntas: esses são ou não exemplos de violência da escola? Serviriam ou não como explicações (e não justificativas) para possíveis casos de violência à escola? A verdade é que não são raras situações como essas.
Não há dúvida de que nada justifica depredações ao patrimônio, agressões físicas ou morais aos educadores e profissionais da escola, independente de suas atitudes muitas vezes injustas, arbitrárias, desastrosas e desrespeitosas. Entretanto, não é difícil imaginar que em muitos casos de violência à escola há claramente a intenção de se vingar por algum tipo de sofrimento vivido na ou pela instituição.
O que fazer? Devemos retomar os princípios morais que devem sustentar nossa prática. Embora a resposta seja simples, envolve um trabalho complexo e de longo prazo, porque demanda uma mudança de paradigma. Explicando melhor:antes de investir no trabalho terapêutico, ou seja, em remédios para combater a violência escolar, envolvendo os métodos de terceirização – equipamentos de segurança, polícia, Conselho Tutelar –, a escola precisa investir no trabalho preventivo, isto é, nas vacinas contra a violência. E isso implica estudos sistemáticos dos educadores sobre temas tão distantes de sua formação, como o da violência, por exemplo. Somente por meio do conhecimento, e não por crenças e repetições de modelos superados, é possível que a escola desenvolva práticas em que os valores morais sejam vivenciados e legitimados. Práticas em que prevaleça o respeito mútuo e não a obediência cega. Práticas pensadas e construídas com objetivos orientados a uma convivência harmoniosa e democrática.
E, para encerrar o tema da semana, fica a nossa reflexão: a segurança da e na escola serão alcançadas quando tivermos uma sociedade constituída por pessoas mais humanizadas. Portanto, como educadores, façamos bem a nossa parte!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O que é e o que deveria ser o trabalho do coordenador pedagógico.

Para evitar assumir funções que não fazem parte do seu papel, é preciso compartilhar sua rotina com toda a equipe. (Foto: Manuela Novais)
Para evitar assumir funções que não fazem parte do seu papel, é preciso compartilhar sua rotina com toda a equipe. (Foto: Manuela Novais)
Em formações com coordenadores, ouvi de muitos deles relatos de ações que realizavam na escola e que, para mim, não deveriam integrar suas rotinas. Entre elas, estava ajudar na parte administrativa, organizar eventos, trabalhar como professor de apoio, acompanhar alunos em atendimento médico, organizar horários de uso da biblioteca, substituir docentes em caso de falta… Eram inúmeras responsabilidades que tomavam quase todo o tempo desses profissionais.
Percebi que, dentro da escola, é comum o coordenador pedagógico construir sua rotina com diversas atividades que não fazem parte da sua função. Ele se torna uma espécie de “faz-tudo” e se distancia de seu verdadeiro papel: formar professores. Isso acontece quando o profissional não tem clareza sobre quais são exatamente suas atribuições na instituição.
Definindo o papel do coordenador
Para evitar que o coordenador assuma funções fora do seu foco, é preciso, então, construir uma rotina compartilhada com a equipe (clique no link para ver a minha). A partir do momento que os seus deveres se tornam claros para todos, ele começa a assumir o seu papel de formador.
O meu dia a dia, por exemplo, não é fácil, porque cumpro 24 horas semanais na escola como coordenadora e tenho que me desdobrar para realizar minha função, tentando me desviar o mínimo possível do meu objetivo. Minha rotina é conhecida por todos, da direção aos funcionários da biblioteca, e eu prezo por cumpri-la. Para fazer isso, estabeleço um plano de trabalho em função da formação dos professores, prevendo reuniões, observação de sala e momentos de estudos pessoais.
É claro que, vez ou outra, surge algum problema e eu preciso realizar algumas ações que fogem da minha alçada. Mas fico atenta para depois retomar o rumo previsto.
Parceria com a direção
Um dos fatores que contribui e muito para cumprir meu papel é a parceria com a gestão da escola. Tenho um diálogo constante com o diretor e informo todas as ações pedagógicasque estão sendo desenvolvidas, o que os professores estão realizando em sala, quais são os resultados de aprendizagens dos alunos e quais conteúdos estão sendo discutidos nas formações. Acredito que, quando essa parceria não acontece,tudo se torna mais difícil.
Outro fator importante é o contato direto com outros coordenadores. Costumo realizar e planejar reuniões de formação em parceria, trocar experiências, inquietações, saberes, estudos e reflexões e analisar materiais com meus colegas de outras escolas. Tudo isso nos ajuda a construir a nossa função de formadores. Procuro manter essa relação viva.
Enfim, a busca por nosso papel dentro da escola deve ser uma preocupação constante. Portanto, gerenciar, coordenar, formar, acompanhar, estudar, articular, transformar, refletir, compreender, escutar, informar, organizar, planejar e avaliar são palavras que devem estar muito presentes no nosso dia a dia.